Comandantes de PMs acusados são afastados

Segundo secretário da Segurança Pública de SP, Antonio Ferreira Pinto, eles não tinham comando sobre militares que mataram motoboy

iG São Paulo |

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, afastou de suas funções, nesta segunda-feira, os comandantes do 22º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (22º BPM-M), tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, e da 3ª Companhia do 22º BPM-M, capitão Alexander Gomes Bento, à qual pertencem os quatro policiais envolvidos na morte do motoboy Alexandre Menezes dos Santos, ocorrida na zona sul da Capital.

Em nota, o secretário classificou o episódio como “lamentável” e afirmou que os militares afastados não tinham o comando da tropa. Já os quatro militares estão recolhidos no presídio militar Romão Gomes após pagarem fiança em uma delegacia onde estavam detidos dede o incidente.

Os militares são acusados de homicídio culposo – quando não há intenção de matar. Nesse caso, o crime é afiançável. Eles vão responder pela morte de Alexandre Menezes dos Santos, motoboy de 25 anos, que foi abordado pelos policiais quando voltava para casa, na rua Guiomar Branco da Silva, em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Segundo a PM, a moto que usava estava sem placa e ele ignorou o alerta e seguido até a residência. A família do jovem diz que ele foi espancado e enforcado sem oferecer qualquer tipo de resistência. O motoboy foi encaminhado ao Hospital Sabóia, mas não resistiu e morreu. O corpo foi enterrado no domingo no Memorial Parque das Cerejeiras.

Em outra nota, a Polícia Militar de São Paulo admitiu que houve uso excessivo de força física dos soldados.

O incidente acontece um mês após a morte de outro motoboy, de 30 anos, também em São Paulo. Dados divulgados pela SSP de São Paulo na semana passada revelam que a Polícia Militar do Estado matou 40% mais pessoas em ocorrências registradas como confrontos no primeiro trimestre deste ano do que em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2010 foram 146 mortes, contra 104 mortes no mesmo período de 2009.

Nos últimos 12 meses, período que coincide com o início da gestão do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu o cargo em março do ano passado, o número de mortes provocadas por policiais militares em serviço foi 54% maior do que nos 12 meses anteriores, na gestão de Ronaldo Marzagão.

Mesmo com o maior número de mortes de civis em confronto com a Polícia Militar, os números de homicídios não caíram no Estado. Na comparação entre o início de 2009 e 2010, o número de homicídios no Estado registrou uma leve alta. No relatório estatístico divulgado pelo SSP, foram registrados 1.224 homicídios no primeiro trimestre deste ano. Em 2009, foram 1.143, pouco a mais que em 2008, quando foram registradas 1.135 mortes de janeiro a março.

A reportagem pediu entrevista com o comando da PM para comentar a situação no início da manhã e aguarda posicionamento da corporação. Já a SSP ainda não confirmou se alguém da pasta dará entrevistas sobre o incidente.

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