Com greve, enterros são improvisados à noite em São Paulo

Sepultamentos são feitos até à noite, iluminados por faróis de carros

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Nelson Antoine/Fotoarena/AE
Funcionários de uma empresa particular cavam novas covas no cemitério Vila Nova Cachoeirinha
Funcionários do Serviço Funerário de São Paulo prometem manter a greve iniciada há quatro dias pelo menos até a próxima segunda-feira (5) - apesar de ordem contrária do Tribunal de Justiça. Nos cemitérios, enterros atrasados já são feitos até à noite, iluminados por faróis de carros. Com a paralisação, algumas famílias demoravam até 30 horas para enterrar seus parentes.

Na noite de quinta-feira (1), a reportagem viu quatro enterros sendo realizados depois do anoitecer no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste - na capital paulista, os enterros normalmente só são feitos até as 17 horas. Funcionários da limpeza, terceirizados, faziam às vezes de coveiros. Os familiares dos mortos eram convidados a colocar seus carros o mais próximo possível de onde ficariam as sepulturas, para poder iluminar o local.

Ninguém da administração apresentou justificativas. Os funcionários da limpeza disseram apenas que os enterros à noite foram uma forma de contornar "a fila" para sepultamentos. Como alguns casos já se estendiam havia dois dias, existia o risco de deterioração dos cadáveres. Em várias outras regiões da cidade, o cenário de atrasos era idêntico. Em alguns cemitérios, funcionários terceirizados chegaram a cavar covas em série para "adiantar o serviço".

Sem negociação

Os grevistas tomaram a decisão de seguir parados depois de não terem suas reivindicações atendidas pela administração municipal na manhã de quinta-feira (1). Eles pedem 39,74% de reajuste salarial. A última proposta apresentada pela prefeitura foi de 15% de aumento no salário-base para a jornada de 40 horas, que passaria de R$ 545 para R$ 630.

Ontem (1), o prefeito Gilberto Kassab voltou a criticar o movimento e disse buscar soluções para o transporte de corpos para cemitérios da cidade, como a contratação de emergência de funcionários. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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