'Coloquei a mão e ela já não respirava', diz mãe de menina morta no Hopi Hari

Mãe de Gabriela Yukay Nichimura pediu para que testemunhas prestem depoimento sobre a morte da filha no parque de diversões

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Ademar Gomes / Divulgação
Gabriela Nichimura tinha 14 anos e era considerada uma menina "doce e muito ativa"
Os pais da adolescente Gabriela Yukay Nichimura, menina de 14 anos que morreu após cair de um brinquedo do Hopi Hari , Silmara Yukay e Armando Nichimura, pediram nesta quinta-feira que as testemunhas da morte, ocorrida no dia 24 de fevereiro, prestem depoimento sobre o que realmente aconteceu. "Peço para as pessoas irem depor e falem a verdade. A escolhida foi minha filha, mas qualquer pessoa poderia estar ali naquele momento", afirmou a mãe.

Investigação: Parque de Hopi Hari será fechado para a realização de novas perícias

Muito emocionada, Silmara também comentou sobre o momento em que tentou socorrer a filha caída. "Na hora que vi o corpo, ajoelhei. Coloquei a mão na cabeça dela e ela já não respirava", disse em entrevista coletiva. "Nunca vou esquecer do momento em que vi o rosto da minha filha. A médica perguntou se queríamos que ela a reanimasse. Ela não tinha condições de ser entubada".

Silmara conta também que logo após sentar no brinquedo tentou confirmar com as duas adolescentes - Gabriela e a prima - se o assento estava travado. "Perguntei: 'Está tudo travado aí?' e elas responderam que sim. Quando eu perguntei sobre o segundo fecho, Gabriela notou que não tinha". Nessa hora, segundo a mãe, elas foram interrompidas por um funcionário que disse: "É seguro."

Após foto da família: Perícia avaliou cadeira errada no Hopi Hari, diz advogado

Os pais, que se declaram evangélicos, descreveram Gabriela como "uma menina doce e muito ativa". Segundo eles, a adolescente participava de peças de teatro, dançava na igreja e tinha o sonho de ser jornalista em Tóquio. Para eles, a principal dificuldade é lidar com a filha mais nova, de apenas 7 anos. "Ela viu o corpo da irmã. Decidimos que em casa não assistimos o noticiário, agora só desenhos", explicou Silmara.

Carolina Garcia
Pais falam com a imprensa nesta quinta-feira
Pedido de indenização

De acordo com o advogado de defesa da família, Ademar Gomes, eles ingressarão com uma ação na Justiça contra o Hopi Hari e uma outra ação contra a prefeitura de Vinhedo, por falhas na fiscalização. Será pedida indenização de R$ 2 milhões para o parque por dano moral e material e R$ 1 milhão da prefeitura, por dano moral.

"Esse caso já deixou de ser acidente e passa a ser tratado como homicídio", diz o advogado ao comentar sobre a possibilidade do brinquedo La Tour Eiffel já ter apresentado problemas. "A defesa tem trabalhado três pontos contra o Hopi Hari: negligência, imperícia e imprudência".

Fechamento 

Segundo o Gomes, o parque será fechado para a realização de novas perícias em todos os brinquedos potencialmente perigosos do local. Ainda é discutido quantos dias serão necessários para a verificação de todas as atrações. "A divulgação da foto da família no brinquedo [veja abaixo] foi fundamental nessa investigação. A voz da família seria calada pela versão dos funcionários e engenheiros do parque", explicou o advogado comentando a primeira perícia realizada no assento errado .

O parque de diversões confirmou que, após reunião com o Ministério Público, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado e o parque ficará fechado por 10 dias a partir de amanhã (sexta-feira, 02/03) para a vistoria dos brinquedos. O prazo do acordo é prorrogável por mais dez dias. Segundo informou o promotor criminal de Vinhedo Rogério Sanches, trata-se de uma ação preventiva realizada pela Promotoria, na área do Consumidor.

Ademar Gomes / Divulgação
Foto antes do acidente define posicionamento da família no brinquedo. Gabriela está ao fundo (dir.)

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