Colegas de menino morto em Embu fazem atividades com psicólogos

Aulas voltam hoje no Colégio Adventista de Embu (SP). Perícia divulga resultado de análises em mochila de criança suspeita

iG São Paulo |

Os alunos da 4ª série do Colégio Adventista de Embu, na Grande São Paulo, onde Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, morreu na última quarta-feira, começaram a ter atividades com psicólogos nesta terça-feira.

De acordo com a assessoria do colégio, os estudantes estão em outra unidade - cujo endereço não foi  divulgado - sendo atentidos por uma equipe multidisciplinar. A previsão é que os colegas de sala de Miguel realizem atividades no local até pelo menos o final da semana. 

Os outros cerca de 600 estudantes das demais turmas voltaram à escola hoje e, conforme o colégio, são acompanhados por 10 psicólogos. A sala de aula onde aconteceu o acidente que matou a criança segue inderditada.

O colégio informa que cerca de 80% dos alunos foram a aula no período da manhã. A escola enfatiza que está retomando as atividades de maneira mais "informal". "Não houve cobranças ou exigências. Prazos para a entrega de tarefas foram estendidos e até mesmo provas foram adiadas", diz nota enviada nesta tarde.

"A direção agradece aos pais pelo apoio, compreensão e sugestões para caminharmos juntos na superação desta fatalidade", acrescenta o comunicado da instituição.

Na segunda-feira, o Colégio Adventista realizou uma reunião com pais dos alunos para esclarecer sobre a retomada das atividades e as providências tomadas após a morte de Miguel. Os pais de Miguel, Dennys Winston Ricci dos Santos e Roberta Cassio Cestari Ricci, também foram ao local porque disseram terem sido avisados pela avó de outro aluno. Procurada, a assessoria de imprensa afirmou que telefonou para eles diversas vezes durante o domingo, mas ninguém atendeu.

Alguns pais saíram apreensivos do encontro, como a pedagoga Sirlene Cremonesi Bertuani, de 32 anos, “Só disseram pra gente o que já foi divulgado na imprensa. Não confirmaram quem foi”, afirmou ela, acrescentando que a escola se comprometeu a colocar câmeras de segurança, mas não disse a data exata de quando isso deve acontecer.

A pedagoga, que é mãe de um aluno de quatro anos, garantiu que irá cobrar respostas do colégio. “Quero saber quem foi, e se vai ficar aí (no colégio). Não pela criança, mas pelos pais dela”, afirmou.

Resultado de perícia

Nesta terça-feira, a perícia deve divulgar o resultado das análises feitas na mochila que o menino suspeito de atirar em Miguel usava no dia. A polícia quer saber se o material tem vestígios de pólvora, já que a arma teria sido guardada nela logo após o disparo.

O delegado Carlos Eduardo Ceroni, da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, conversou com a reportagem do iG e disse ter a suspeita de que a mochila tenha sido lavada, mas acrescentou que "mesmo lavada é possível encontrar vestígios d epólvora". As roupas da criança também foram periciadas.

Os pais do menino já foram interrogados, mas confirme Ceroni, negaram que tivessem arma em casa ou que o filho tenha atirado no colega. Para a polícia, porém, o caso está praticamente, esclarecido. "Já temos quem foi e como foi”, afirmou o delegado à imprensa na tarde de segunda-feira.

Ceroni disse a irá pedir à Vara da Infância e Juventude acompanhamento psicológico para a criança suspeita de ter feito os disparos. “Pode ser que ele contou e os pais quiseram preservá-lo. Ou que não contou com medo de alguma represália”, considerou.

Ao todo, desde o início do inquérito, mais de 40 pessoas já foram ouvidas, entre alunos do colégio, pais e professores. A polícia também enfatizou que ainda é cedo para afirmar se os pais do garoto podem ser indiciados pela morte ou por qual crime.

*Com informações de Lecticia Maggi, iG São Paulo

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