Colega de menino morto em escola de Embu deve ser ouvido

Polícia também sugere que garoto passe por avaliações psiquiátricas e psicológicas. Pais do suspeito negam terem arma em casa

AE |

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A Polícia Civil quer que o menino de 9 anos, suspeito de matar acidentalmente o colega de classe Miguel Cestari Ricci dos Santos, da mesma idade, no Colégio Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo, passe por avaliações psiquiátricas e psicológicas. "Vamos encaminhar o pedido nesta semana para a Vara da Infância e da Juventude de Embu", disse o delegado Pedro Arnaldo Buk Forli, do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Taboão da Serra (SP). 

Para o delegado, é necessária uma intervenção na vida psicossocial do menino. "Psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais precisam analisar e estudar essa criança. Mas não para fins de internação. São técnicos especializados da Vara da Infância e da Juventude, com certeza saberão se o menino atirou acidentalmente e chegarão à verdade", disse ele. 

O psiquiatra forense Guido Palomba enfatizou que os pais do menino é que deveriam ser ouvidos. A criança é inimputável e mistura fantasia e realidade, sgeundo ele. "Os pais têm de contar o que aconteceu. Devem ser chamados à responsabilidade e explicar como o filho arrumou a arma. O menino que matou e o que morreu são vítimas", argumentou Palomba. 

A Polícia Civil já ouviu os pais do menino e disse que eles negaram o envolvimento do filho e afirmaram que nunca tiveram arma. Mas, para a polícia, depoimentos de testemunhas reforçam os indícios de que o menino atirou em Miguel. Dois colegas de classe viram ele e Miguel entrando na sala após atividade no pátio. Uma menina teria ouvido um disparo e, em seguida, visto o suspeito deixar a classe e esconder a arma na mochila. 

O uniforme e a mochila do suspeito foram apreendidos e serão periciados para saber se neles há vestígio de pólvora. "Temos convicção de que ele atirou acidentalmente e está mentindo. Não temos provas e os pais dele não colaboram", acrescentou Forli. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O caso

Miguel foi atingido por um tiro no abdômen na manhã de quarta-feira (29). Ele foi sosorrido pelo diretor e funcionários do Colégio Adventista para o Family Hospital, na cidade de Taboão da Serra. Segundo o médico Marcos David, diretor clínico do hospital, a criança chegou ao local por volta das 11h50 em estado gravíssimo e foi encaminhada diretamente ao centro cirúrgico. A bala atravessou o intestino e estava alojada no rim direito. "Logo no início da cirurgia ele teve parada cardiorrespiratória e foi tentada a ressuscitação por uma hora, mas sem sucesso", afirmou.

Sob muita comoção, o corpo foi enterrado na tarde de quinta-feira no Cemitério São Paulo. O tio padrinho de Miguel, Hélvio Eduardo Paiva, conversou com a reportagem do iG e disse que a família estava "destruída". "Estou sem rumo. Nada mais importa. Nada vai trazer meu sobrinho de volta. Não dá para expressar em palavras. Quantificar ou qualificar ", disse ele, momentos antes de ajudar a carregar o caixão do sobrinho.

A polícia já ouviu os pais da vítima, funcionários do colégio, amigos de Miguel, e pais de outros alunos e continua com a investigação.

As aulas no Colégio Adventista voltam amanhã, terça-feira. Por meio de nota, o colégio diz que está "facilitando ao máximo a elucidação dos fatos". "Todos os professores e demais funcionários que têm sido solicitados a prestar depoimento têm contribuído de modo voluntário para o sucesso das investigações. Além disso, todas as informações recebidas são imediatamente repassadas à polícia. Não é só. O prédio escolar tem sido deixado à disposição da perícia para as análises necessárias", afirma.

*Com informações do iG São Paulo

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