Ciclovias ligadas ao Guarujá e São Vicente favorecem uso de bicicleta como meio de transporte

Pessoas voltam para casa pela ciclovia da orla da praia, em Santos
Fernanda Simas, iG São Paulo
Pessoas voltam para casa pela ciclovia da orla da praia, em Santos

A cidade plana e o clima litorâneo de Santos, litoral paulista, favorecem o uso da bicicleta como meio de transporte. Por isso a malha cicloviária de 21 quilômetros fica lotada no fim da tarde de dias de semana, quando adolescentes voltam da escola e trabalhadores voltam para casa, alguns carregando os filhos pequenos.

As ciclovias em Santos foram a saída encontrada para a cidade que não tinha mais para onde crescer. Delimitada por cercas verdes, elas tem ligação com as cidades vizinhas São Vicente e Guarujá (por meio da balsa). Diariamente, chegam a Santos, entre 6h e 9h, 7.960 ciclistas. Entre 17 horas e 20h30, o movimento é intenso na saída da cidade. O fiscal de embarque da balsa Robson Correa Reis mostra que existem dois acessos para a balsa no fim da tarde, sendo um para os veículos motorizados e o outro apenas para as bicicletas. “Eu controlo [o fluxo] e se essa balsa não lota [de ciclistas] aí libero para os carros”.

O prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) tem a intenção de criar condições para que a bicicleta seja protagonista da mobilidade urbana. “A bicicleta surge como uma ótima solução voltada para uma melhor qualidade de vida e para um meio ambiente melhor, com redução de emissões [de gás carbônico] por força do uso do petróleo”, justifica Papa.

Paraciclo, local para estacionar bicicletas, lotado
Fernanda Simas, iG São Paulo
Paraciclo, local para estacionar bicicletas, lotado
Quem usa a ciclovia aprova, mas aponta pontos que precisam melhorar. O estudante Ícaro Pita, de 16 anos, acredita que seria necessário drenar a água da pista porque “quando chove ficam várias poças”. Tati, que pediru para não ter o sobrenome divulgado, tem 25 anos, mora no Guarujá, trabalha em Santos e se desloca entre as cidades pedalando. Ela conta ser difícil encontrar um lugar para estacionar a bicicleta e enfatiza que os próprios ciclistas não se respeitam. “Tem gente que passa correndo demais, fazendo ultrapassagem. E não tem lugar para parar a bicicleta ao longo do trajeto”, diz, se referindo ao percurso que faz quando volta para o Guarujá.

Existem na cidade os paraciclos – locais para estacionamento das bicicletas –, mas eles ficam nos pontos de destino dos ciclistas e não ao longo do trajeto. Quanto ao desrespeito, isso realmente acontece. Pessoas andam e fazem manobras de skate na ciclovia e muitos ciclistas ultrapassam outros sem se preocuparem com quem pode estar vindo no sentido contrário.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos informa que realiza rondas de fiscalização e apreende a bicicleta que quem desrespeitar as regras de trânsito. Para reavê-la é necessário pagar R$ 25 ou participar de um curso gratuito sobre regras de cidadania e trânsito, na sede da Companhia.

Apoio do setor privado

O prefeito de Santos acredita que “o uso da bicicleta pode aumentar muito como opção e com ações simples”, principalmente se tiver o apoio do setor privado. Ele conta que no Dia Mundial sem Carro foi de ônibus para a prefeitura e encontrou duas vendedoras de um shopping que sempre vão para o trabalho de bicicleta. Elas disseram a ele que a dificuldade era não ter onde guardar a bicicleta no estabelecimento.

O problema foi resolvido, segundo Papa. “Eu sabia qual era o shopping e falei com o dirigente e converteram uma vaga de automóvel que não representa nada em um espaço tão grande em espaço para as bicicletas”. E conclui: “A questão do ciclista é: onde guardar [a bicicleta] com segurança. Isso independe só do poder público, é preciso visão, cultura do setor privado, de que é uma opção inteligente.”

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.