Ciclistas protestam contra morte na avenida Paulista

Mulher em bicicleta morreu após ser atropelada por um ônibus na avenida Paulista, em São Paulo

iG São Paulo |

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Manifestante na Paulista
Ciclistas e cicloativistas paulistanos realizaram protesto nesta sexta-feira à noite na avenida Paulista, local onde mais uma ciclista foi morta ao ser atropelada por um ônibus nesta sexta-feira (02) em São Paulo.

A ciclista Juliana Ingrid Dias, 33, era bióloga do Hospital Sírio-Libanês. Segundo o hospital, ela exercia função de analista de laboratório no Banco Público de Sangue de Cordão Umbilical. O hospital disse, em nota, que "a direção, funcionários e amigos compartilham com a família o pesar pelo seu falecimento."

"Infelizmente precisa morrer gente para todos perceberem o desrespeito que há com o ciclista", lamentou Maurício Longuini, de 34 anos, um dos 1.500 ciclistas que fizeram o protesto.

"O motorista profissional é nosso pior inimigo. Taxistas e motoristas de ônibus são os que mais desrespeitam ciclistas. Como eles estão trabalhando, acham que pode tudo", afirmou o cicloativista William Silva. Segundo ele, em São Paulo há cerca de 7 mil cicloativistas, que não encontram espaços nas ruas da cidade. "A Paulista é uma das vias de risco máximo ao ciclista, assim como a 23 de Março".

O acidente: Ciclista morre atropelada por ônibus na avenida Paulista

Toda última sexta-feira do mês, o grupo já organiza uma bicicletada na Paulista, para lembrar vítimas de acidentes e reivindicar ciclovias e mais respeito no trânsito. Para eles, faltam vias exclusivas em São Paulo. "Estou com cada vez mais medo de andar de bicicleta", lamentou o mecânico Carlos Nascimento, de 29 anos. Ele mora em Guaianases e trabalha no Parque Villa-Lobos - no trajeto, pedala 80 quilômetros por dia.

Como é de costume nesses protestos, os ciclistas  deitaram na avenida, ato chamado de 'die-in', e devem colocar uma 'Ghost Bike', que é uma bicicleta pintada de branco, em lembrança a mais essa morte no trânsito.

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Pessoas realizam protesto na noite desta sexta-feira pela morte de uma ciclista na avenida Paulista

Logo após duas faixas da avenida Paulista serem liberadas, no início da tarde, alguns ciclistas deitaram na pista e foram retirados por policiais militares.

O grupo de ciclistas começou o protesto por volta das 19h na praça do Ciclista, nome dado ao espaço de canteiro central da avenida Paulista entre as ruas Bela Cintra e Consolação.

Fundador do site Vá de Bike, Willian Cruz defendeu que a prefeitura adote uma campanha de conscientização semelhante à de proteção aos pedestres. Já para o empresário e cicloativista Leandro Valverdes, falta vontade política. "Em seis meses, seria possível melhorar o cenário".

Em nota, a São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura que gerencia ônibus municipais, "lamentou" a morte da ciclista e disse investir em programas de reciclagem para motoristas do sistema de ônibus municipal. Ainda reiterou que todos os motoristas envolvidos em acidentes são afastados do trabalho.

A manifestação chama a atenção para a necessidade de respeito no trânsito, entre os diferentes modelos de transporte. O mesmo local já foi palco de outros protestos, realizado após a morte da cicloativista Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, também atropelada por um ônibus na avenida Paulilsta, em janeiro de 2009.

* Com Agência Estado

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Ciclistas são retirados da avenida Paulista nesta sexta-feira

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