Chuva de granizo em Guarulhos surpreendeu meteorologistas

Especialistas afirmam que previam apenas a possibilidade de chuva, mas não com queda de gelo. Fenômeno é difícil de ser antecipado

iG São Paulo |

A chuva de granizo que cobriu a cidade de Guarulhos , na Grande São Paulo, na tarde de terça-feira, supreendeu meteorologistas dos principais institutos de medição do tempo de São Paulo. "Havia a possibilidade de pancadas de chuva, mas não com a intensidade que aconteceu. Não era esperado", afirma Marcelo Pinheiro, meteorologista do Climatempo.

A força da chuva de granizo foi tão grande que carros chegaram a ficar totalmente cobertos. Nesta quarta-feira equipes da Prefeitura retiraram 40 caminhões de gelo das ruas da cidade e depositaram às margens do Rio Cabuçu, na Vila Galvão.

O fenômeno causado por nuvens chamadas de cumulonimbos foi propiciado, segundo especialistas, pelas altas temperaturas registradas na capital paulista e região metropolitana. A frente fria trazida pelo mar contribuiu para a formação de nuvens carregadas que avançaram em direção a Guarulhos. "Houve súbito aumento da umidade do ar que juntou com o ar quente e seco", afirma Franco Villela, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Apesar de não ser muito frequente, Villela explica que a época em que o fenômeno mais acontece é justamente na transição entre uma estação do ano e outra, quando o tempo não "está nem tão seco nem tão úmido". "Quando a umidade é maior chove antes de ocorrer a formação de gelo". Na próxima quinta-feira (23), o Brasil sai do inverno e entra na primavera.

Segundo ele, a queda de granizo é muito difícil de ser prevista. Poucos institutos possuem radares meteorológicos que podem antecipar o fenômeno, e isso somente é possível de ser feito no mesmo dia, com menos de 24h de antecedência. "Não fazemos esse tipo de avaliação, não temos instrumento. O radar meteorológico é um equipamento caro, que custa mais de um milhão de dólares", diz.

De acordo com ele, a Aeronáutica e o Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (SAISP), operado pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) são exemplos de quem possue este tipo de radar. O Inmet, assim como grande parte dos institutos, conforme Villela utiliza modelos meteorológicos, cruzamento de dados de computador e análises dos especialistas.

Mesmo com os equipamentos mais modernos, Villela defende que a chuva de ontem foi bastante localizada, o que torna a previsão ainda mais complicada.  "As feramentas que tínhamos não indicavam, não dava para ver", diz.

Pinheiro, do Climatempo, acrescenta que a possibilidade de nova formação de granizo é remota para os próximos dias na capital e cidades próximas. Na terça-feira, a umidade do ar às 18h estava em 51%. Nesta quarta-feira, por volta das 17h, estava em 35%. "Com ar mais seco não há condição para a formação de gelo".

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