Caso Vanessa Duarte: polícia busca dois supeitos por assassinato

Câmeras de trânsito mostram carro de coordenadora de vendas no dia do sumiço. Laudo indica que Vanessa morreu às 10h30 do sábado

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

A Polícia Civil está a procura de dois suspeitos da morte da coordenadora de vendas Vanessa Duarte, de 25 anos, que foram identificados durante as investigações do crime. Segundo o delegado responsável pelo caso, Zacarias Tadros, os dois rapazes se enquadram aos retratos falados feitos pela corporação e podem ser apreendidos a qualquer momento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, quatro pessoas foram detidas para averiguação nesta tarde, mas foram liberadas após prestar depoimento.

"Assim que acharmos essas duas pessoas, vamos ouvi-las e averiguar seu álibis para só então dar o próximo passo. Posso dizer que esses suspeitos possuem alguma proximidade com a vítima, mas não posso adiantar se são amigos ou vizinhos, afirmou o delegado.

O delegado acrescentou que as investigações deram um grande passo após ouvirem uma testemunha que afirmou ter visto a jovem no carro no banco do passageiro, imóvel e possivelmente amarrada e amordaçada. De acordo com ele, a testemunha foi ouvida informalmente. Ele afirmou ainda que por se tratar de uma investigação de homicídio todos são suspeitos.

Ainda nesta tarde, Tadros recebeu a informação que os peritos concluíram o laudo no IML e as informações serão anexadas aos autos na quinta-feira. De acordo com a SSP, o laudo informa que Vanessa foi morta às 10h30, cerca de 2h após deixar a casa do noivo. O delegado também descartou a segunda perícia no carro, que estava programada para a tarde desta quarta-feira.

Depoimentos

AE
Valéria Duarte deixa delegacia após prestar depoimento
A Polícia Civil ouviu nesta quarta-feira a irmã gêmea de Vanessa Duarte, Valéria Duarte, seu noivo Alex Veras da Silva e o policial Alexandro Batista de Amorin, que esteve presente no momento em que o corpo foi encontrado. As testemunhas saíram do Setor de Homicídios da delegacia de Carapicuíba por volta das 14h15 após quase quatro horas de depoimento. Eles não quiseram dar declarações à imprensa. Uma quarta testemunha, não revelada, deixou a delegacia às 15h10.

Durante as investigações, a polícia ouviu informalmente ao menos quatro testemunhas, sendo que três delas auxiliaram na concepção de dois retratos falados. Um deles não foi divulgado por lembrar a característica física de uma pessoa que poderia comprometer as investigações.

O delegado informou ainda que a polícia recebeu imagens de câmeras de segurança da guarda civil metropolitana de Barueri e outras imagens de áreas particulares. Segundo ele, essas imagens mostram o momento em que Vanessa é abordada e levada por dois suspeitos. Ela é levada no banco do passageiro, um dos suspeitos segue ao volante e o outro, em uma moto fazendo a escolta do veículo.

Retrato falado

A família da coordenadora de vendas Vanessa de Vasconcellos Duarte, de 25 anos, não reconheceu o suspeito descrito no retrato falado divulgado pela Polícia Civil de Carapicuiba, na terça-feira, elaborado com base no depoimento de uma testemunha que a polícia civil ouviu.

Um dos irmãos da vítima, Danilo Duarte, de 22 anos, disse ao ver o retrato falado, mostrado à família pela reportagem do iG, que aquela pessoa não fazia parte do círculo de amizades de Vanessa. A família ainda não tinha visto a imagem divulgada pela polícia. “Essa pessoa eu nunca vi na vida. Posso dizer que não fazia parte dos amigos que a família conhecia”, afirmou o assistente de inventário.

A mesma opinião foi dada por Viviane Duarte, irmã mais velha de Vanessa. “Ela era uma pessoa muito reservada, mas conhecíamos quase todos os amigos dela, e essa pessoa do retrato não lembra nenhum dos amigos próximos dela. Nunca vi!”, disse.

Reprodução
Vanessa Duarte ao lado do noivo Luiz Vanderlei de Oliveira
Mesmo estando muito abalados e não atendendo a reportagem, os pais da vítima também apresentaram a mesma opinião sobre o retrato falado, segundo relato do casal de irmãos.

O irmão afirma que, por ser muito reservada, a irmã não divulgou para muitas pessoas que ela estava matriculada no curso de maquiagem, que duraria um dia completo. “Eu mesmo não sabia que ela faria esse curso. Depois que aconteceu tudo isso eu fiquei sabendo que ela queria fazer esse curso para poder se automaquiar para o seu casamento que seria ainda este ano. E para maquiar nossa outra irmã, Valéria Duarte, que tem o casamento marcado para o mês de maio.”

Viviane de Vasconcellos relata que sua irmã era muito vaidosa e queria aprender a fazer maquiagem de forma profissional. “Tudo o que ela fazia ela queria que fosse da melhor forma possível. Era o orgulho da família. Tudo o que fazia era motivo de satisfação. Agora perdemos nossa boneca.”

O caso

O corpo da coordenadora de vendas foi encontrado no domingo, no km 41,5 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, Grande São Paulo. Ela estava desaparecida desde que saiu da casa do noivo, em Barueri, também na região metropolitana, entre 8 e 9h de sábado, para encontrar suas amigas e irem juntas a um curso de maquiagem, mas não chegou ao local combinado. O corpo foi achado no meio da mata, seminu e apresentando sinais de violência. Próximo ao corpo foram encontrados um preservativo e duas embalagens vazias.

Na mesma manhã, as amigas estranharam a demora e tentaram achá-la. Um policial militar e dois amigos da coordenadora decidiram realizar buscas por contra própria. O carro que a jovem usava foi encontrado abandonado em Vargem Grande Paulista, também na Grande São Paulo, pela Polícia Militar. Uma moradora da região disse que viu quando o veículo foi deixado no local por um homem.

Futurapress
Carro foi recuperado com pequeno foco de incêndio

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