Caso Miguel: "Já temos quem foi e como foi", diz delegado

Polícia suspeita que mochila de criança que teria feito o disparo contra Miguel foi lavada para eliminar vestígios de pólvora

Lectícia Maggi, iG São Paulo |

O delegado Carlos Eduardo Ceroni, da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, afirmou nesta segunda-feira que “a polícia já tem a verdade” sobe a morte do menino Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, no Colégio Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo. “Já temos quem foi e como foi”, afirmou acrescentando que os depoimentos desta segunda-feira serviram para confirmar o que a polícia já suspeitava: um colega de Miguel atirou nele acidentalmente.

Os pais do menino já foram interrogados, mas confirme Ceroni, negaram que tivessem arma em casa ou que o filho tenha atirado no colega. Ao todo, desde o início do inquérito, mais de 40 pessoas já foram ouvidas, entre alunos do colégio, pais e professores.

A polícia apreendeu a mochila que o menino usava na última quarta-feira e suspeita que ela tenha sido lavada para tentar eliminar vestígios de pólvora. Isso porque a arma teria sido guardada nela logo após o disparo. O laudo da perícia que pode confirmar essa informação sairá nesta terça-feira. “Mesmo sendo lavada é possível encontrar os vestígios”, afirmou o delegado.

Ceroni disse ainda que a irá pedir a Vara da Infância e Juventude acompanhamento psicológico para a criança suspeita de ter feito os disparos. “Pode ser que ele contou e os pais quiseram preservá-lo. Ou que não contou com medo de alguma represália”, disse. A polícia também enfatizou que ainda é cedo para afirmar se os pais do garoto podem ser indiciados pela morte ou por qual crime.

O caso

Reprodução
Foto do menino Miguel
Miguel foi atingido por um tiro no abdômen na manhã da última quarta-feira (29). Ele foi sosorrido pelo diretor e funcionários do Colégio Adventista para o Family Hospital, na cidade de Taboão da Serra. Segundo o médico Marcos David, diretor clínico do hospital, a criança chegou ao local por volta das 11h50 em estado gravíssimo e foi encaminhada diretamente ao centro cirúrgico. A bala atravessou o intestino e estava alojada no rim direito. "Logo no início da cirurgia ele teve parada cardiorrespiratória e foi tentada a ressuscitação por uma hora, mas sem sucesso", afirmou.

Sob muita comoção, o corpo foi enterrado na tarde de quinta-feira no Cemitério São Paulo. O tio padrinho de Miguel, Hélvio Eduardo Paiva, conversou com a reportagem do iG e disse que a família estava "destruída". "Estou sem rumo. Nada mais importa. Nada vai trazer meu sobrinho de volta. Não dá para expressar em palavras. Quantificar ou qualificar ", disse ele, momentos antes de ajudar a carregar o caixão do sobrinho.

As aulas no Colégio Adventista voltam nesta terça-feira. Por meio de nota, o colégio diz que está "facilitando ao máximo a elucidação dos fatos". "Todos os professores e demais funcionários que têm sido solicitados a prestar depoimento têm contribuído de modo voluntário para o sucesso das investigações. Além disso, todas as informações recebidas são imediatamente repassadas à polícia. Não é só. O prédio escolar tem sido deixado à disposição da perícia para as análises necessárias", afirma.

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