Caso Miguel: delegado se foca em ouvir funcionários de escola

Tias de menino morto por tiro em sala de aula do Colégio Adventista, em Embu, acusam a escola de negligência e omissão

Márcio Apolinário, especial para o iG |

O delegado Carlos Eduardo Ceroni, da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, afirmou que esta sexta-feira será marcada por depoimentos de funcionários do Colégio Adventista de Embu, na Grande São Paulo. Na manhã de quarta-feira, o estudante Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, foi atingido por um tiro no abdômen dentro de uma sala de aula da escola e morreu no hospital.

“Não dá para dizer quantas pessoas ouviremos, mas garanto que boa parte das pessoas que estavam no colégio durante o ocorrido serão ouvidas", disse o delegado, acrescentando que também pretende ouvir os colegas de classe de Miguel. Ceroni deve passar o dia na delegacia.

Ale Cabral/ Futura Press
A mãe de Miguel, ao centro, é amparada durante o enterro do filho na quinta-feira em São Paulo

A polícia ainda não encontrou a arma de onde partiu o tiro que matou Miguel e nem indentificou o autor do disparo. Ceroni afirmou que o tiro que atingiu o menino era de uma arma calibre 38 e foi disparado de curta distância.

O advogado do Colégio Adventista Lélio Lellis esteve na delegacia nesta manhã e disse que a escola "está prestando todos os esclarecimentos para que o caso seja solucionado". Questionado sobre a limpeza do local do crime, ele não quis se pronunciar. "Todos os detalhes estarão nos autos de inquérito. Por enquanto, não há nada a ser dito", afirmou.

Esta, porém, não é a opinião de familiares do garoto que, na quinta-feira, acusaram a escola de negligência. "Eles (escola) querem abafar o caso", considerou Daniello Passos, tia materna da criança, que acrescentou estar inconsolável. "O sentimento é de revolta. Eles (escola) ainda não falaram, talvez porque não querem ou porque não podem”.

Rosa Ricci, outra tia de Miguel, também considera que o colégio não socorreu o sobrindo da forma mais adequada. O estudante foi levado pelo diretor da Escola ao Family Hospital que em Taboão da Serra, que é onde a escola mantém convênio. “Foi negligência do colégio”, disse ela, acrescentando que "a família não quer vingança, mas quer justiça. 

Na quinta-feira, Ceroni foi ao Instituto Médico Legal (IML) de Taboão da Serra para conversar com peritos que analisaram o corpo da criança. Depois, seguiu para o colégio, onde passou cerca de 1h30 verificando as dependências do local e conversando com funcionários. De acordo com os policiais, a cena do crime foi alterada - não para eliminar provas, mas para que fosse feita a limpeza e a preservação da imagem do colégio.

Foi usado Luminol (reagente para detectar vestígios de sangue). Havia ainda manchas em um corredor entre as duas primeiras carteiras, na frente da mesa do professor. A camiseta usada pela criança no dia e um pano que teria sido utilizado para limpar o sangue na sala foram apreendidos. Quatro colegas de Miguel também foram levados à delegacia. Ao todo, 20 pessoas foram ouvidas.

Enterro

Sob muita comoção, o corpo de Miguel foi enterrado por volta das 16h30 de quinta-feira no Cemitério São Paulo, na rua cardeal Arcoverde, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Abraçados, os pais não contiveram a emoção. Rosas vermelhas foram jogadas sobre o caixão da criança.

O tio padrinho de Miguel, Hélvio Eduardo paiva, disse que a família foi "destruída". "Estou sem rumo. Nada mais importa", disse.

*Com informações de Lecticia Maggi, iG São Paulo, e da Agência Estado

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