Casal é condenado por esquartejar filhos em São Paulo

Pena do pai será de 67 anos e um mês de prisão. A madrasta foi condenada a 59 anos e seis meses

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Igor (à esquerda) e João Vitor não queriam voltar a morar com pai e madrasta, mas juíza da infância determinou retorno
O segurança João Alexandre Rodrigues e sua mulher, Eliana Aparecida Antunes Rodrigues, foram condenados por matar e esquartejar os dois filhos deles, Igor e João Vitor, de 12 e 13 anos, em 2008. O julgamento terminou no início da noite desta quinta-feira no Fórum de Ribeirão Pires (SP). 

A pena do pai será de 67 anos e um mês de prisão. A madrasta foi condenada a 59 anos e seis meses. Ele foi condenado por cometer homicídio qualificado por motivo torpe, com utilização de meio cruel, emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas, destruição de cadáver e fraude processual. Elaine foi condenada pelos mesmo crimes e ainda por induzir os meninos à fuga. 

O julgamento teve início nesta quarta-feira, quando foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do pai e a madrasta das crianças. Hoje foram realizados os debates entre defesa e acusação e anunciada a decisão do júri. 

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), João Alexandre asfixiou um dos filhos na sala enquanto o outro foi morto a facadas por Eliane. Depois, os corpos foram esquartejados. Membros dos meninos foram jogados em sacos de lixo e descobertos pelos funcionários da limpeza pública. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a defesa ainda pode recorrer da decisão.

Tortura e maus-tratos

Os garotos foram assassinados em 5 de setembro de 2008 e o crime causou comoção na cidade já que pedaços dos corpos das crianças foram jogados próximo à residência do casal e em sacos de lixo. Funcionários de uma empresa de coleta encontraram parte de um corpo no dia seguinte e acionaram a polícia.

A Justiça de Ribeirão Pires sabia um ano antes do crime que os meninos eram frequentemente torturados dentro de casa e sofriam toda espécie de maus-tratos e abusos psicológicos. Em julho de 2007, a promotora criminal Mylene Comploier denunciou Rodrigues e Eliana por tortura.

Com base nos relatórios do Conselho Tutelar, que acompanhava o caso dos meninos desde 2005, ela pedia à Justiça a condenação dos dois. Contudo, em janeiro de 2008, sem ouvir a opinião do Ministério Público, a juíza da Infância do município decidiu que os dois teriam de voltar a viver com a família, após terem passado um ano e um mês abrigados.

Os garotos não queriam e, em uma carta escrita durante uma avaliação no abrigo, João Vitor chegou a escrever que só queria "uma vida tranqüila". Quatro meses depois, eles foram assassinados.

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