Casal acusado de matar irmãos é julgado no Grande ABC

João Alexandre Rodrigues e a mulher são acusados de matar e esquartejar os filhos dele, de 12 e 13 anos, em 2008

iG São Paulo |

O julgamento do casal João Alexandre Rodrigues, de 32 anos, segurança, e de Eliana Aparecida Antunes Rodrigues, de 36 anos, começou por volta das 10h40 desta quarta-feira no Fórum de Ribeirão Pires, no Grande ABC. Os dois são acusados de matar e depois esquartejar e queimar os corpos de Igor Giovanni, de 12 anos, e João Vitor, de 13 anos, filhos de Rodrigues.

AE
Igor (à esquerda) e João Vitor não queriam voltar a morar com pai e madrasta, mas juíza da infância determinou retorno
De acordo com informações do Tribunal de Justiça de SP, a sessão é presidida pelo juiz José Welington Bezerra da Costa Neto e estão previstas para serem ouvidas cinco testemunhas de acusação, cinco de defesa de Rodrigues e três de Eliana. Sete mulheres foram sorteadas para compor o júri.

O julgamento do casal deveria ter ocorrido no dia 23 de novembro, mas, segundo o TJ, foi adiado porque o advogado de Rodrigues, Reynaldo Fransozo Cardoso, não compareceu ao tribunal.

Tortura e maus-tratos

Os garotos foram assassinados em 5 de setembro de 2008 e o crime causou comoção na cidade já que pedaços dos corpos das crianças foram jogados próximo à residência do casal e em sacos de lixo. Funcionários de uma empresa de coleta encontraram parte de um corpo no dia seguinte e acionaram a polícia.

A Justiça de Ribeirão Pires sabia um ano antes do crime que os meninos eram frequentemente torturados dentro de casa e sofriam toda espécie de maus-tratos e abusos psicológicos. Em julho de 2007, a promotora criminal Mylene Comploier denunciou Rodrigues e Eliana por tortura.

Com base nos relatórios do Conselho Tutelar, que acompanhava o caso dos meninos desde 2005, ela pedia à Justiça a condenação dos dois. Contudo, em janeiro de 2008, sem ouvir a opinião do Ministério Público, a juíza da Infância do município decidiu que os dois teriam de voltar a viver com a família, após terem passado um ano e um mês abrigados.

Os garotos não queriam e, em uma carta escrita durante uma avaliação no abrigo, João Vitor chegou a escrever que só queria "uma vida tranqüila". Quatro meses depois, eles foram assassinados.

*Com informações da Agência Estado

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