Campinas foca na educação antes de ampliar áreas para ciclistas

Na cidade de Campinas, as ciclofaixas de lazer são uma forma de educar e incentivar a população

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Fernanda Simas, iG São Paulo
Ciclista enfrenta o frio e pedala na ciclofaixa do Taquaral
Fim de tarde de uma terça-feira, o vento frio na cidade de Campinas, interior de São Paulo, faz necessário o uso de um agasalho e mesmo assim algumas pessoas pedalam na ciclofaixa do Taquaral. São poucos os ciclistas que percorrem os cinco quilômetros de vias demarcados pela pintura vermelha do asfalto e iluminados por postes de luz amarela (incandescente). Mas, apesar da sinalização, o desrespeito acontece.

Placas ao longo do percurso identificam que aquela área é destinada a circulação de bicicletas, mas alguns motoristas não têm paciência e passam “colados” na ciclofaixa, quase batendo com o retrovisor em quem está pedalando. O administrador Otávio Gomes frequenta o local depois do expediente e reclama do desrespeito. “Tem carro que passa buzinando sendo que esse espaço é reservado para nós (ciclistas)”.

A reportagem percorre mais um trecho e flagra pessoas praticando cooper (corrida) na pista, mesmo existindo um espaço reservado para essa atividade ao lado da ciclofaixa.

O ciclista que desejar parar e comer um lanche encontra diversas barracas e pode estacionar as bicicletas em locais adequados. O que falta, no entanto, são latas de lixo para que a sujeira não se acumule na rua.

Ciclofaixas de lazer para educar

Desde janeiro deste ano, ciclofaixas de lazer foram criadas em Campinas, no mesmo modelo das existentes na capital paulista e a intenção da prefeitura é conscientizar a população. “As ciclofaixas de lazer funcionam para que as pessoas comecem a entender a importância desse meio de transporte e aprendam desde já a respeitar”, afirma o secretário dos transportes Sérgio Torrecillas.

Segundo o secretário, é preciso criar a “cultura de se utilizar e de se respeitar a bicicleta”, para considerá-la uma alternativa de meio de transporte. Campinas tem 37,5 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, incluindo as de lazer que funcionam apenas aos domingos e feriados, das 7h às 13h e recebem cerca de sete mil pessoas por dia.

Por essa razão, uma campanha de educação é realizada nas ciclofaixas de lazer. “Uma equipe alerta sobre os riscos porque tem gente que sai da área delimitada, fica fazendo zigue zague entre os cones e empina as bicicletas, o que leva a uma condição insegura”, explica o secretário Torrecillas. Além disso, cones são colocados nas vias para separar os ciclistas dos outros veículos e 80 colaboradores trabalham na segurança.

O Código de Trânsito Brasileiro prevê o uso da bicicleta como meio de transporte e estabelece punições para os ciclistas que desrespeitarem o espaço delimitado a eles ou os pedestres. De acordo com o artigo 255, é infração média, punível com multa e remoção da bicicleta, “conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59”, que permite a circulação de bicicletas na calçada apenas quando autorizado e sinalizado por agentes de trânsito.

Na Ciclofaixa de Ouro Verde, as bicicletas dividem espaço com carros em uma avenida de movimentação intensa, por isso a velocidade máxima permitida foi reduzida durante o período em que as pessoas podem pedalar ali. “Nós abaixamos a velocidade máxima permitida aos veículos de 60 para 40 [quilômetros por hora] e colocamos placas avisando”, enfatiza Torrecillas.

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