Caminhoneiros começam paralisação à meia-noite em São Paulo

Em protesto contra restrição de circulação na cidade, categoria pretende provocar desabastecimento de combustível e produtos

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Os caminhoneiros autônomos de São Paulo prometem iniciar uma paralisação à meia-noite deste domingo sem data para terminar. De acordo com o sindicato da categoria, a decisão foi tomada por unanimidade durante uma assembleia com 450 trabalhadores, realizada neste domingo (4). A paralisação é um protesto contra as restrições de circulação impostas pela Secretaria Municipal de Transportes e uma tentativa de pressionar a Prefeitura a renegociar a medida.

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Acompanhe o movimento em 17 cidades nesta manhã de segunda-feira

À 0h desta segunda-feira (5) os motoristas de caminhões tanque, que abastecem os postos de combustível, irão parar. Às 4h, os caminhoneiros transportadores das demais cargas pretendem ocupar faixas da Marginal Tietê em protesto. Apesar de afirmar que não vão bloquear a via, a localização exata do protesto não foi informada.

As restrições de circulação estão valendo desde dezembro de 2012, como medida educativa , mas a partir desta segunda, começam a ser fiscalizadas com multa de R$ 85,13 (infração média, com acréscimo de quatro pontos na CNH). Está proibido o tráfego de caminhões na Marginal Tietê e em outras vias entre 4h e 10h e entre 16h e 22h de segunda a sexta-feira e, aos sábados, das 10h às 14h, exceto feriados.

Os trabalhadores afirmam que a medida encarece as entregas, exige percorrer distâncias maiores e trabalhar por mais horas. “Sem os trechos Leste e Norte do Rodoanel concluídos, a restrição na Marginal Tietê é inviável. Teremos que percorrer 143 quilômetros para realizar uma entrega de Guarulhos a Barueri, no horário de restrição. Percurso antes feito em 30 quilômetros”, afirma Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicado dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo (Sindicam-SP).

De acordo com Silva, os reflexos da paralisação dos caminhoneiros serão sentidos pela população a partir de terça-feira, caso a greve não termine na segunda. “Estamos iniciando uma paralisação. O dia que termina eu não sei. Temos 256 mil caminhoneiros no Estado, se todos aderirem, nós resolvemos isso [abertura de negociação com a Prefeitura] em duas horas”, diz.

AE
A partir de segunda-feira (5), caminhoneiros que desrespeitaream nova restrição serão multados

O presidente do Sindicam-SP afirma que tem participado de reuniões com a Prefeitura e a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) desde dezembro de 2011, mas que não recebeu nenhuma resposta referente às reivindicações da categoria. A direção do sindicato destaca que colaborou anteriormente com restrições impostas pela Prefeitura, por entender que havia alternativas.

A proibição de caminhões vale para a Marginal Tietê entre as pontes Aricanduva e Rodovia dos Bandeirantes; avenidas Salim Farah Maluf, Prof. Luis Ignácio de Anhaia Melo, Tancredo Neves, Presidente Wilson, Avenida do Estado, Paes de Barros, Ermano Marchetti, Marquês de São Vicente e rua das Juntas Provisórias. Segundo a CET, a medida tem como principal objetivo melhorar a fluidez do tráfego. Com a restrição, espera-se um aumento de até 20% na velocidade média dos veículos que trafegam na marginal.

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