Bairros já estão saturados, diz vereador

Parlamentar defende incentivos para a moradia popular para pessoas de baixa renda

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Integrante da comissão de política urbana, metropolitana e de meio ambiente da Câmara Municipal, o vereador Chico Macena (PT) diz ter várias discordâncias sobre as mudanças elaboradas para o plano diretor, sobretudo porque no texto final áreas como Lapa, Santo Amaro e Tatuapé, segundo ele já saturadas, foram considerados áreas de requalificação.

Isso significa que nesses locais será permitido um adensamento maior do que ocorre hoje. “No Tatuapé não tem mais para onde adensar. Antes se falava que o adensamento só seria permitido em áreas de operação urbana, ou seja, num raio de 500 metros de obras como o metrô. Agora não se fala em raio, mas de partes indefinidas do distrito. E o metrô do Tatuapé não agüenta mais pessoas. São 60 mil pessoas por hora no pico e o recomendável são 40 mil pessoas”, argumenta.

Já a Lapa, segundo o vereador, tem áreas nobres já consolidadas, em que pessoas querem manter o padrão de vida. “Tem também um sistema viário consolidado. Na medida em que ali vai adensar mais pressão haverá sobre esse sistema”. Ele diz que apenas as áreas degradadas podem ser adensadas na Lapa, como as visitadas pela reportagem. O temor, diz, é que aconteça uma situação parecida com as operações urbanas na própria zona oeste, onde muitos prédios de alto padrão, com três e quatro quartos e vagas na garagem, foram construídos em áreas próximas a corredores com o intuito de incentivar o transporte coletivo. Esses empreendimentos, diz Macena, atraem apenas pessoas de alta renda, expulsam a classe média do local e causam impacto no sistema viário – já que parte desse público prefere se deslocar por carro.

Uma das saídas, defende, é que as áreas degradadas recebam incentivos para a moradia popular para pessoas de baixa renda.

Segundo a assessoria do vereador José Police Neto (PSDB), relator do projeto, as mudanças buscam reverter o esvaziamento populacional justamente com o estímulo ao uso habitacional de interesse social, conforme diz a proposta. O foco do texto para essas áreas hoje degradadas, diz o vereador, é a população de baixa renda - que ganha até cinco salários mínimos. A lógica é que, para que o mercado construa para este público, os governos subsidiem a obra.

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