Avó de amigo de Miguel diz que neto levou projétil para casa

Amigo de menino morto em colégio de Embu (SP) teria chegado em casa com bala no estojo, em agosto, e não sabe quem colocou

Márcio Apolinário, especial para o iG |

Alunos do Colégio Adventista, em Embu, na Grande São Paulo, onde Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, morreu baleado na última quarta-feira, já tiveram contato com munições em outras ocasiões. Em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, Célia Burin, avó de Gustavo, estudante do mesmo colégio que Miguel, disse que um dia o neto chegou em casa com uma bala no estojo. O caso aconteceu em agosto.

De acordo com Célia, o garoto mostrou o projétil à família, mas disse que não sabia quem tinha escondido no material escolar dele. "Mandei uma carta para a professora dizendo para que verificassem quem tinha colocado a bala dentro do estojo dele, pois ele não sabia. A professora me respondeu que o caso seria averiguado”, disse ela.

Nesta tarde, Célia chegou para prestar depoimento na Delegacia Seccional de Taboão da Serra, onde a morte de Miguel é investigada, e, novamente, falou sobre o caso. "O Gustavo chegou a mostrar a bala para a professora, ela olhou e falou para ele jogar no lixo. Não deram importância. É claro que eu liguei o fato ao outro. Se escola tivesse dado a devida atenção a este primeiro 'alerta', talvez pudéssemos ter evitado esta tragédia", lamentou. 

Gustavo estuda à tarde, enquanto Miguel é aluno da manhã, mas disse que os dois se conheciam e encontravam na troca de turma. A criança, que foi à delegacia com os avôs, também conversou com jornalistas e disse que, quando viu a bala, foi orientado pela professora a jogá-la. No entanto, disse que quando foi fazer isso outro colega quis pegar. Então, ele teria guardado de volta no estojo e levado para a casa. Este amigo de Gustavo teria sido transferido há pouco tempo para o período da manhã.

O avô de Gustavo, Nivaldo Burin, comentou que, no momento da matrícula, todos os pais e alunos são obrigados a assinar um Código de Ética, no qual está especificado que nenhum tipo de arma branca ou objeto que possa ferir alguém pode entrar nas dependências do colégio. “Os pais são obrigados a seguir, mas, neste caso, houve negligência e deu no que deu", disse.

Depoimento de funcionários

Pela manhã, o delegado Carlos Eduardo Ceroni, do setor de Homicíduios da Seccional de Taboão da Serra, afirmou que ouvirá depoimentos de funcionários do Colégio Adventista hoje.  “Não dá para dizer quantas pessoas ouviremos, mas garanto que boa parte das pessoas que estavam no colégio durante o ocorrido serão ouvidas", disse o delegado, acrescentando que também pretende ouvir os colegas de classe de Miguel. Ceroni deve passar o dia na delegacia.

A polícia ainda não encontrou a arma de onde partiu o tiro que matou Miguel e nem indentificou o autor do disparo. Ceroni afirmou que o tiro que atingiu o menino era de uma arma calibre 38 e foi disparado de curta distância .

O advogado do Colégio Adventista, Lélio Lellis, esteve na delegacia e disse que a escola "está prestando todos os esclarecimentos para que o caso seja solucionado". Questionado sobre a limpeza do local do crime, ele não quis se pronunciar. "Todos os detalhes estarão nos autos de inquérito. Por enquanto, não há nada a ser dito", afirmou.

Esta, porém, não é a opinião de familiares do garoto que, na quinta-feira, acusaram a escola de negligência. "Eles (escola) querem abafar o caso", considerou Daniello Passos, tia materna da criança, que acrescentou estar inconsolável. "O sentimento é de revolta. Eles (escola) ainda não falaram, talvez porque não querem ou porque não podem”.

Rosa Ricci, outra tia de Miguel, também considera que o colégio não socorreu o sobrindo da forma mais adequada. O estudante foi levado pelo diretor da Escola ao Family Hospital que em Taboão da Serra, que é onde a escola mantém convênio. “Foi negligência do colégio”, disse ela, acrescentando que "a família não quer vingança, mas quer justiça.

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