Auxiliar que trocou soro por vaselina é indiciada

Enfermeira prestou depoimento nesta quarta-feira em São Paulo

Lectícia Maggi, iG São Paulo |

Futura Press
Auxiliar de enfermagem chega a delegacia para prestar depoimento
A auxiliar de enfermagem que aplicou vaselina líquida ao invés de soro na veia da menina Stéphanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, foi indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela prestou depoimento por quase 2 horas no 73º DP da capital paulista, na zona norte.

Na saída, o advogado dela, Roberto Gama, afirmou que sua cliente foi induzida ao erro pela própria Santa Casa, que administra o hospital São Luiz Gonzaga, onde ocorreu o atendimento, e que o recipiente onde estava armazenado o líquido não dava condições de saber que se tratava de vaselina.

“Ela disse que fez todos os procedimentos, mas estava escrito vaselina com o mesmo tipo (letra) e a posição e a diagramação no recipiente eram idênticas, afirmou o advogado.

A pena para homicídio culposo vai de um a três anos de detenção e pode ser cumprida em regime aberto, convertida em cestas básicas ou trabalho voluntário. “Acho irrisória, mas é o que diz o código”, comentou o delegado Antonio Carlos Corsi. Ele afirma que o nome da auxiliar não será divulgado, por questões de segurança. Mas informa que ela tem 26 anos e trabalhava há pelo menos dois no hospital. Além dela, outras três pessoas do hospital São Luiz Gonzaga devem prestar depoimento nesta tarde, sendo um enfermeiro chefe, e dois médicos.

O caso

Por volta das 15h de sexta-feira (3), a menina foi levada ao hospital por apresentar um quadro de diarreia e vômitos que, segundo a mãe, apareceram naquele mesmo dia. Depois de duas bolsas de soro, já estava mais animada. “Ela falou deixa eu brincar com seu celular e eu respondi para não jogar muito para não acabar a bateria”, afirma Roseane Mércia dos Santos Teixeira, de 38 anos, acrescentando que a filha já estava para receber alta. “A médica disse que daria bolacha e chá para ela se alimentar e, se ela não vomitasse, iria para a casa”, diz.

Diante do repentino e instantâneo agravamento do quadro da menina ao ser colocada a 3ª bolsa, a equipe de enfermagem foi chamada e, segundo a mãe, imediatamente a agulha retirada. “Era tanta gente em volta dela, médicos...”, conta.

Segundo Roseane, em momento algum a equipe informou sobre o que havia acontecido. Pelo contrário, Roseane diz que foi avisada de que sua filha precisaria ser transferida para a Santa Casa de Misericórdia para “realizar uma ressonância e que estava sedada”.

“Ainda peguei nela, disse que iria sair dessa e tentei fechar os olhos que estavam abertos. Antes de saírem com ela na ambulância, perguntei para a médica: ‘Foi efeito da medicação?’, e ela: ‘Vamos ver, acho que foi’”, relata, tentando conter o choro.

Roseane e a tia-avó de Stéphanie, Rielza Glória da Silva, que foi quem esteve com ela na ambulância, reclamam da falta de informações sobre o estado de saúde dela. “Não falavam nada, não me deixavam entrar. Soube quando ouvi minha filha gritando: ‘A Stéphanie não’. Subi correndo”. Stéphanie deixou duas irmãs, Ingrid, de 14 anos, e Beatriz, de 6 anos.

    Leia tudo sobre: mortevaselinasanta casa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG