Auxiliar que aplicou vaselina em criança pode ficar solta

Enfermeira está neste momento na delegacia para prestar depoimento

Lectícia Maggi, iG São Paulo |

A auxiliar de enfermagem que aplicou vaselina ao invés de soro na menina Stéphanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, deve ser ouvida ainda nesta quarta-feira, segundo informações do delegado Antonio Carlos Corsi, do 73º Distrito Policia, na zona norte da capital paulista.

Futura Press
Auxiliar de enfermagem chega a delegacia para prestar depoimento
Ela foi intimada nesta terça-feira e se apresentou nesta tarde para prestar depoimento. Existe a possibilidade, segundo Corsi, de que ela já saia da delegacia indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar). “Está claro que houve erro, e não acreditamos que ela teve a intenção de fazer. Ela só vai dizer de que forma ocorreu.”

A pena para homicídio culposo vai de um a três anos de detenção e pode ser cumprida em regime aberto, convertida em cestas básicas ou trabalho voluntário. “Acho irrisória, mas é o que diz o código”, comentou o delegado. Corsi afirma que o nome da auxiliar não será divulgado, por questões de segurança. Mas informa que ela tem 26 anos e trabalhava há pelo menos dois no hospital. Além dela, outras três pessoas do hospital São Luiz Gonzaga devem prestar depoimento nesta tarde, sendo um enfermeiro chefe, e dois médicos.

O caso

Por volta das 15h de sexta-feira (3), a menina foi levada ao hospital por apresentar um quadro de diarreia e vômitos que, segundo a mãe, apareceram naquele mesmo dia. Depois de duas bolsas de soro, já estava mais animada. “Ela falou deixa eu brincar com seu celular e eu respondi para não jogar muito para não acabar a bateria”, afirma Roseane Mércia dos Santos Teixeira, de 38 anos, acrescentando que a filha já estava para receber alta. “A médica disse que daria bolacha e chá para ela se alimentar e, se ela não vomitasse, iria para a casa”, diz.

Diante do repentino e instantâneo agravamento do quadro da menina ao ser colocada a 3ª bolsa, a equipe de enfermagem foi chamada e, segundo a mãe, imediatamente a agulha retirada. “Era tanta gente em volta dela, médicos...”, conta.

Segundo Roseane, em momento algum a equipe informou sobre o que havia acontecido. Pelo contrário, Roseane diz que foi avisada de que sua filha precisaria ser transferida para a Santa Casa de Misericórdia para “realizar uma ressonância e que estava sedada”.

“Ainda peguei nela, disse que iria sair dessa e tentei fechar os olhos que estavam abertos. Antes de saírem com ela na ambulância, perguntei para a médica: ‘Foi efeito da medicação?’, e ela: ‘Vamos ver, acho que foi’”, relata, tentando conter o choro.

Roseane e a tia-avó de Stéphanie, Rielza Glória da Silva, que foi quem esteve com ela na ambulância, reclamam da falta de informações sobre o estado de saúde dela. “Não falavam nada, não me deixavam entrar. Soube quando ouvi minha filha gritando: ‘A Stéphanie não’. Subi correndo”. Stéphanie deixou duas irmãs, Ingrid, de 14 anos, e Beatriz, de 6 anos.

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