Ato estudantil termina em passeata contra homofobia em São Paulo

Manifestantes foram até o número 777 da avenida Paulista, onde houve jovens agrediram pessoas supostamente por homofobia

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

O que era para ser um ato de estudantes contra o posicionamento do reverendo Augustus Nicodemus Gomes Lopes , chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em relação à lei que pretende criminalizar a homofobia, transformou-se em uma passeata pelas ruas da região da Avenida Paulista. A caminhada de 4 quilômetros não estava programada, e seguiu por entre os carros, atrapalhando o trânsito local.

Protestando contra o líder religioso, que publicou uma carta na qual cita passagens bíblicas e se opõe à aprovação da nova legislação, cerca de 500 manifestantes saíram da Rua Itambé em frente ao Mackenzie e seguiram pelas ruas Maria Antonia, Caio Prado e Augusta, até o número 777 da Avenida Paulista, onde ocorreu uma agressão a jovens na semana passada, supostamente motivada por preconceito contra homossexuais . Com gritos de “contra a homofobia a luta é todo dia” e “eu também quero casar” os manifestantes protestavam pelos direitos dos homossexuais.

“A passeata não estava programada. Fomos caminhando e decidindo ir cada vez mais longe. O pessoal se auto-organizou. Foi incrível”, disse a estudante Carolina Latini, 20 anos, aluna de Ciências Sociais da PUC-SP. “Isso aqui foi como uma flash mob (manifestação relâmpago). As pessoas souberam pela internet e vieram protestar”, definiu o publicitário e ex-aluno do Mackenzie Beto Sato, de 30 anos.

Drag queens e integrantes de movimentos gays encabeçaram a passeata, que ganhou mais adeptos durante o trajeto. Para a drag queen Tchaka, o ato em frente ao Mackenzie foi uma ação de “cidadãos conscientes e formadores de opinião”. A manifestação contou com a presença de políticos como o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSol) e a ex-vereadora Soninha Francine (PPS).

A passeata foi acompanhada por funcionários da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, que ajudaram a organizar o movimento e contiveram o grupo para evitar que os manifestantes se encontrassem com skin heads que estavam na região da Avenida Paulista. “Apoiamos a manifestação e fizemos um esforço conjunto com policiais civis e militares para garantir que essas pessoas pudessem se expressar com segurança”, declarou Dimitri Sales, coordenador de Políticas de Diversidade Sexual, da Secretaria estadual da Justiça e Defesa da Cidadania.

Após a dispersão dos manifestantes, a Polícia Militar reforçou o policiamento na região da Paulista e nas estações de metrô.

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