Artigo: O amor do torcedor pela cidade de São Paulo

Auditor participou da criação da Gaviões da Fiel e atualmente é diretor do Corinthians. Ele relembra sua infância e conta como coleciona histórias da cidade

Raul Corrêa da Silva, empresário* |

"Cheguei a este município no colo de meus pais, vindo de São José dos Campos, e fui criado como um verdadeiro paulistano. Cresci no Jardim São Paulo, onde passava inúmeras tardes preparando pipas para brincar. Conseguia até vender algumas para os amigos, chegando a preparar 25 unidades por dia. Graças a essa verdadeira linha de produção, arrecadei meus primeiros trocados. Resolvi trabalhar também como coroinha só para vender canetas no fim da missa. A paixão pelos números era evidente. Não à toa me tornei auditor.

Futura Press
Raul Corrêa da Silva participou da criação de duas das principais torcidas do Corinthians
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Foi em São Paulo que conheci o grande amor da minha vida, o Corinthians. Era tão fanático que acompanhava todas as partidas, o que me permitiu conhecer outros cantos da cidade. E junto com 19 colegas, fundei a Gaviões da Fiel, e mais tarde, com mais três, a Camisa 12 - as duas principais torcidas organizadas do clube.

Casei, criei filhos, abri minha empresa de auditoria, hoje localizada em um edifício tradicional da cidade de São Paulo, antiga sede do jornal "O Estado de S.Paulo". Mais do que colecionar alegrias, virei um colecionador de histórias da cidade. De revistas e jornais, a artigos e fotos da Revolução Constitucionalista de 32, do aniversário do Quarto Centenário, cartas de políticos. Até obras de Jânio Quadros ocupam espaço na minha residência, construída em 1954 (ano de título para o Timão). Aliás, fui um militante aplicado da Juventude Janista, no início dos anos 80.

Divulgação
O auditor Raul Corrêa da Silva
Nessa minha casa, foram muitas noites e madrugadas para abraçar outra paixão, ao lado de Zé Rodrix, Belchior, Walter Franco, Guarabyra, Carlinhos Vergueiro, Celso Viáfora e Tavito, entre outros. Hoje, conservo com muito apuro um acervo de 6 mil discos e 55 mil músicas. Desse material já nasceram, dois livros.

Por essas e outras, não saio daqui por nada e quando entro em férias, não vejo a hora de retornar para apreciar toda essa agitação. É uma cidade mágica, acolhedora, afinada no futebol e craque na música. São Paulo só não é perfeita por um único detalhe: não se chama Corinthians."

*Raul Coprrêa da Silva , de 57 anos, iniciou sua carreira em 1976, como estagiário da Arthur Andersen. Atua desde 1980 no setor de auditoria e consultoria empresarial. Atualmente é diretor financeiro do Corinthians e apaixonado pela cidade de São Paulo.

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