'Arrastões' em restaurantes fazem polícia pedir reforço da PM

Armados, homens levam medo à zona oeste de São Paulo. Donos de restaurantes querem investir em segurança

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Frequentadores de bares e restaurantes de São Paulo já não desfrutam do jantar com a mesma tranquilidade. Pelo menos seis estabelecimentos das regiões da Vila Madalena e Pinheiros, na zona oeste da capital, foram alvos de “arrastões” nas últimas semanas, no período da noite.

O bar japonês Tanuki, localizado na Vila Madalena, foi assaltado na noite da quarta-feira de cinzas. Segundo o proprietário, que preferiu não ter o nome divulgado, cinco homens bem-vestidos - aparentando ter cerca de 28 anos - invadiram o local por volta das 22h45, próximo ao horário de fechamento. Pelo menos 30 pessoas ainda estavam no bar.

“Eles mandavam deitar no chão e diziam que não iriam fazer nada, só pegar o dinheiro. Não ficaram reparando, tudo que estava em cima da mesa pegaram, celular, bolsa...”, conta. Do caixa, os assaltantes também levaram cerca de R$ 300 e, em cinco minutos, já haviam ido embora, estima o dono.

Na tentativa de evitar que a cena se repita, ele já pensa em novos investimentos em segurança. “Hoje, um rapaz veio aqui ver onde podemos colocar alarme, câmera”, diz. “Tudo vai para o cardápio”, afirma, anunciando que o gasto será repassado aos clientes.

Divulgação
Restaurante Pita Kebab foi assaltado na última terça-feira
Na última terça-feira, o Pita Kekab, em Pinheiros, também foi roubado. Uma das vítimas, que prefere não ter o nome divulgado, conta que, quando percebeu, “os garçons já estavam no chão”. Quem estava sentado precisou colocar as mãos na mesa para mostrar que não escondia nada. “Já entraram rendendo. Eram uns quatro caras e o mais velho não tinha 30 anos”, diz. “Foi muito rápido, cinco minutos. Eram profissionais”, considera. Ela teve a bolsa com chaves, documentos e cartões bancários roubada.

Prejuízo também teve o dono do Rothko, na Vila Madalena, assaltado em 23 de fevereiro. “Ele entrou armado na cozinha, rendeu a equipe de seis pessoas, mandou deitar no chão, ameaçou, perguntou por cofre, falei que não tinha”, conta o proprietário, que evita ter dinheiro no caixa. “Também levaram garrafas de vinho, uisque, mas me pareceu mesmo que o foco era o dinheiro dos clientes”, diz.

Outros restaurantes também assaltados foram o La Trattoria – último dia 24 –, Sakkana Sushi e Kioku Japanese Food, nos dias 12 e 13 de fevereiro, respectivamente.

O delegado do 14ºDP, Ricardo Arantes Cestari, não fala em “onda” deste tipo de crime, mas admite que no início de 2010 não se lembra de terem ocorrido tantos casos como neste ano. Ele já pediu ajuda da Polícia Militar. “Eu já passei os dados para a PM ficar de olho. É importante que façam algo, ronda, por volta das 23h30 olhem os restaurantes para ver o que está acontecendo”, afirma.

Ao contrário da sensação tida pelas vítimas, de que os assaltantes eram “ágeis e profissionais”, o delegado não acredita em quadrilhas especializadas neste tipo de roubo. “As pessoas entram em restaurante e acabam pegando celular, dinheiro.. Não é tão lucrativo, além de ser arriscado já que não se sabe se alguém vai estar armado lá dentro ou alguém no banheiro que pode chamar a polícia."

Apesar da semelhança entre os episódios, o delegado afirma que ainda é cedo para falar em ligação entre os crimes. Até o momento, nenhum suspeito foi detido e ele pede ajuda das vítimas. “É preciso que venham fazer BO (Boletim de Ocorrência) e reconhecimento de fotos. Precisamos da colaboração para coibir esse crime”, diz.

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