Após reintegração de posse, estudantes protestam novamente

Alunos fazem manifestação contra ação da PM e da Tropa de Choque na universidade e na delegacia de polícia

iG São Paulo |

Um grupo de alunos da Universidade de São Paulo (USP) protesta nesta terça-feira contra a atuação da Tropa de Choque da Polícia Militar que, nesta madrugada, cumpriu o processo de reintegração de posse do prédio ocupado desde o último dia 2 por estudantes que exigem o fim da presença da PM no câmpus, na zona oeste da capital paulista. Pela manhã, se concentraram na região do prédio da reitoria e, por volta das 12h, uma parte deles seguiu em marcha até a delegacia na Rua Gastão Vidigal, onde estão detidos os alunos que ocupavam a reitoria .

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O grupo foi acompanhado por carros, motos e helicóptero da polícia e, ao chegar ao local, foram recepcionados por oito policiais da Tropa de Choque. O Major Marcel Offner, que coordena a operação da polícia com intuito de impedir a invasão da delegacia, diz que tem 40 policiais disponíveis para conter os alunos. Quando os estudantes chegaram ao local, o major os filmou com o próprio celular e chegou a sorrir para eles. Questionado pela reportagem do iG , afirmou que é um direito legítimo deles protestar. Os alunos gritam palavras de ordem, como "libertem os nossos presos", "lutar não é crime" e "isso aqui vai virar Chile".

A mãe de uma aluna de 20 anos do curso de ciências sociais detida acompanha a manifestação. Identificada como Regiane, ela afirmou que a filha participou de vários protestos contra a atual reitoria da USP e, embora trabalhe durante o dia, dormia na reitoria durante a ocupação. A mãe disse que está junto no protesto nesta terça-feira porque sabe que a filha não aceitaria que ela pagasse fiança só para ela, mas vai querer esperar uma negociação que contemple todos os detidos.

AE
Estudantes protestam contra a ação Polícia Militar na USP

Outros alunos continuam em frente ao prédio da reitoria, que está cercado pela Tropa de Choque. A polícia está no local e pediu o isolamento da área para a realização da perícia para a avaliação de danos ao patrimônio da universidade.

Entre os estudantes que se concentram no local, alguns afirmam que não têm nenhuma relação com a ocupação e que os atos de invasão partiram de uma minoria. Outros portam flores e cartazes em apoio aos estudantes que foram detidos.

Um representante da ouvidoria da Polícia Militar também fez uma visita ao local nesta manhã. Ele afirmou que recebeu 70 reclamações em relação a ação da PM.

Desocupação

Por volta de 5h10, munidos de cassetetes, escudos e armas com balas de borracha, cerca de 400 policiais da chegaram ao local e arrombaram um portão que dá acesso ao prédio e foram de encontro aos estudantes. O efetivo empregado pela corporação, segundo o comando no local, foi necessário para garantir a integridade física de todos. "Esse efetivo foi deslocado para a universidade justamente para que tudo ocorresse pacificamente", afirmou a coronel Maria Aparecida de Carvalho. 

Segundo informações da PM, 73 estudantes que participavam do movimento de ocupação foram detidos para averiguação. Eles foram levados em ônibus da polícia ao 91º DP, do Ceasa. Todos foram revistados dentro do prédio e serão fichados na delegacia pela Polícia Civil.

Os alunos envolvidos devem responder por desobediência por não terem cumprido a ordem judicial de abandonar o prédio até 23h de ontem, entretanto, se a perícia comprovar estragos na reitoria, eles responderão pelo crime de dano ao patrimônio público.

Às 5h25 boa parte do estudantes já havia sido retirada de forma pacífica. Um grupo de alunos chegou a realizar um protesto em frente ao edifício e pelo menos um foi detido ao tentar furar o bloqueio dos policiais. Após a desocupação, a imprensa teve acesso ao prédio da reitoria. O local está danificado, paredes e estátuas foram encontradas com manifestações contra a gestão do atual reitor João Grandino Rodas.

Durante a perícia, a PM afirmou ter encontrado garrafas de coquetel molotov, caixas de rojões e um galão de gasolina no prédio. De acordo com a porta-voz da PM coronel Maria Yamamoto, "foi uma desocupação pacífica pois a PM pegou os alunos de surpresa".

A desocupação havia sido oficialmente solicitada à polícia pela juiza corregedora Ana Paula Sampaio de Queiroz Bandeira Lins, na segunda-feira, conforme documento enviado ao comandante geral, coronel Álvaro Batista Camilo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o patrulhamento da Polícia Militar na USP será mantido e reforçado pelo 16º BPM/M.

Veja fotos do processo de reintegração de posse:

Cronologia

O prédio da reitoria da USP foi ocupado após uma assembleia de estudantes decidir pelo cancelamento de outra invasão, no prédio administrativo de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na noite de terça-feira (1). O primeiro ato ocorreu em protesto pela detenção de três estudantes que estariam fumando maconha no estacionamento na última semana.

Na tarde de quinta (3), a reitoria divulgou imagens das câmeras instaladas no prédio da reitoria que mostram o momento em que várias pessoas forçam o portão e invadem o local.

Truculência

Nesta segunda, pessoas que não participaram da assembleia e são favoráveis à presença da Polícia Militar no câmpus afirmaram que a PM trouxe mais segurança. "As abordagens são feitas de maneira cordial", disse o estudante de políticas públicas Rodrigo Neves. Já um aluno contrário à presença da polícia disse que a polícia age de maneira truculenta.

*com reportagem de Cinthia Rodrigues e Agência Estado

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