Após protesto, pistas da Marginal Pinheiros são liberadas

Moradores da Favela Real Parque atearam fogo em pneus e deixaram ônibus atravessados em pistas da Marginal Pinheiros, em São Paulo

iG São Paulo |

A pista local da Marginal Pinheiros, na altura da Ponte do Morumbi, no sentido Interlagos, na zona sul de São Paulo, foi liberada por volta das 20h20 desta segunda-feira após ficar cerca 2 horas fechada por conta de um protesto de moradores da favela Real Parque. O protesto ocorreu após uma reunião de uma equipe da Superintendência de Habitação Popular Sul (Habi-Sul) e as famílias vítimas do incêndio que destruiu parte da comunidade na sexta-feira passada.

Segundo a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), cerca de 100 moradores colocaram fogo em pneus e chegaram a fechar as pistas local e expressa da via. Um ônibus biarticulado foi tomado pelos manifestantes que o deixaram atravessado na pista.

Os passageiros de dezenas de ônibus desceram, atravessaram o canteiro central e foram para a pista, sentido Rodovia Castelo Branco, para esperar transporte público. Alguns coletivos entraram na contra-mão da Marginal Pinheiros para fugir da confusão.

Luis H. Blanco/Futura Press
Tropa de choque entra na Favela Real Parque em busca de manifestantes que fecharam a Marginal Pinheiros
Mesmo após a liberação, o congestionamento na região, por volta das 20h30, é de 3,4 quilômetros, da Ponte da Eusébio Matoso até a Ponte do Morumbi.

Os moradores, que protestam por melhores condições de habitação, chegaram a interditar faixas de pista expressa, que já foi liberada. O acesso a Ponte Estaiada também chegou a ser fechado pelos manifestantes.

Segundo o Corpo de Bombeiros, quatro viaturas foram deslocados para o local apagar os focos de incêndio. A polícia também teve que intervir para dispersar os manifestantes. Houve confronto com alguns grupos de moradores que atiraram pedras nos policiais. A polícia procura os organizadores do protesto.

Na última sexta-feira, um incêndio destruiu cerca de 320 barracos da favela do Real Parque. Veja as imagens .

Secretaria

A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) divulgou uma nota na noite desta segunda-feira condenando a ação dos manifestantes. Nela, a secretaria diz que o protesto começou após um desentendimento durante uma reunião com moradores para acertar o início do pagamento do Auxílio Aluguel às famílias atingidas pelo incêndio. Veja abaixo a reprodução do documento:

"A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) condena veementemente a ação de um pequeno grupo de radicais, na favela Real Parque, que patrocinou protestos no fim da tarde de hoje (27/09) fechando a Marginal Pinheiros. A revolta se iniciou após reunião com a equipe da Superintendência de Habitação Popular Sul (Habi-Sul) e as famílias vítimas do incêndio que destruiu parte da comunidade, sexta-feira passada (24/09).

Na reunião, técnicos da Prefeitura explicaram que seria pago Auxílio Aluguel de R$ 400 mensais por quatro meses e distribuído à maioria um ofício, chamado Compromisso Habitacional, pelo qual a família detentora tem a garantia de ser atendida em moradia definitiva no futuro. Foi explicado também que o Auxílio Aluguel seria estendido até que as moradias do Programa de Urbanização do Real Parque, que prevê a construção de 1.200 unidades habitacionais, fosse concluído.

Porém tem direito ao Compromisso Habitacional apenas as vítimas que constarem do cadastro original de 1.131 famílias da favela, feito em 2008. As famílias que foram atendidas logo após o incêndio mas não comprovarem residência no local com o nome no cadastro serão analisadas posteriormente, caso a caso, mas não receberão o Compromisso Habitacional. Uma pequena parcela dos moradores não aceitou essa decisão, porém a SEHAB não pode admitir que ninguém fure a fila de atendimento.

A Secretaria atuou nos últimos seis meses na formação do Conselho Gestor do Real Parque para garantir a participação da população local nas decisões do Programa de Urbanização. O contrato para a construção dos 1.200 apartamentos deverá ser assinado nos próximos dias. O obra deverá durar 18 meses e tem recursos garantidos pela Operação Urbana Faria Lima."

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