Após morte de colega, alunos da USP pedem segurança

Estudantes entregam carta exigindo mais segurança no campus Butantã, na zona oeste da capital paulista

iG São Paulo |

AE
Alunos se reúnem em frente à reitoria da USP para entregar carta exigindo segurança no campus
Alunos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), no Butantã, na zona oeste da capital paulista, organizaram um protesto pela morte de um colega quarta-feira à noite. Pela manhã, os estudantes caminharam até a reitoria da universidade e entregaram uma carta exigindo mais segurança no campus. As aulas previstas para começar às 7h30 foram suspensas pela própria FEA.

Desde 10h30, os alunos da FEA estão em debate discutindo as soluções para a atual situação da universidade. "Os casos de violência na USP, como sabemos, têm se tornado uma triste constante. (...) De forma pragmática e urgente, já é possível apontar problemas de solução óbvia e imediata que já poderiam ser sanados", diz nota oficial emitida pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairo.

Os protestos continuam até o período da noite com direito a nova paralisação das aulas, reunião entre o chefe de gabinete Reinaldo Guerreiro e quatro membros do centro acadêmico e a distribuiçao da carta aberta aos estudantes. A reunião com a reitoria será realizada às 16h e será fechada. O comitê do centro acadêmico levará para a reitoria as opiniões dos estudantes manifestadas no debate.

Às 20h, os estudantes do período noturno realizarão um minuto de silêncio em homenagem a Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos. Aluno do curso de Ciências Atuariais, ele foi assassinado no estacionamento da faculdade por volta das 21h30 da quarta-feira (18). Um guarda universitário ouviu um disparo e correu para o estacionamento da faculdade. Lá, encontrou Felipe já morto perto de seu Passat azul-marinho blindado. Ao lado, havia uma chave quebrada, um celular e óculos.

Segurança no campus

O reitor da unviversidade, João Grandino Rodas, afirmou em entrevista à Rádio CBN nesta manhã que o conselho do campus irá se reunir para discutir medidas urgentes sobre a segurança na faculdade. Segundo Rodas, a evasão da USP pode estar ligada à falta de segurança da cidade universitária. "Nenhum pai quer colocar o seu filho em uma universidade pensando que poderá perdê-lo no quinto ano de estudo", lamenta.

Segundo ele, mesmo presente, o corpo de segurança do campus tem sido ineficiente já que não possui atributos como uma organização policial. "O segurança estava presente e foi até o local, porém, após o tiro. Precisamos intervir antes disso", conclui.

Leia a íntegra da carta

“Carta aberta aos alunos da FEA Usp

É com grande pesar que o Centro Acadêmico Visconde de Cairu entrega essa carta aos alunos. No dia de ontem, uma tragédia se abateu sobre a comunidade de nossa faculdade. O falecimento do estudante Felipe Ramos de Paiva, aluno do quinto ano do curso de Ciências Atuariais, chocou a todos aqueles que diariamente frequentam o campus Butantã. Não há palavras que possam reconfortar aqueles que perderam um colega, um amigo, um filho, um ente querido. Dessa forma, diante de tão triste situação, oferecemos nossa humilde solidariedade a todos os que sofrem neste momento.

Hoje é um dia de luto e homenagem. Perda, respeito e indignação permeiam nossos sentimentos.

Os casos de violência na USP, como sabemos, têm se tornado uma triste constante. Nos últimos meses, sequestros, assaltos e furtos passaram a preocupar alunos, professores e funcionários. A perda de nosso colega estudante, portanto, escancara de maneira lamentável a necessidade de se debater a segurança no cotidiano universitário.

De forma pragmática e urgente, mesmo em um momento anterior a esse debate, já é possível apontar problemas de solução óbvia e imediata que já poderiam ter sido sanados. Um primeiro ponto diz respeito à falta de iluminação adequada não só nos arredores da FEA, mas em todo o campus. Também há falta de vigilantes no perímetro das unidades. Os reais problemas de segurança na Universidade de São Paulo, enfim, precisam ser corretamente diagnosticados.

Ouviremos os alunos, falaremos com a diretoria de nossa faculdade e agiremos para que a dor que hoje sentimos altere a forma como a questão da segurança é tratada.

Centro Acadêmico Visconde de Cairu”

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