Após dois meses do roubo a cofres do Itaú, apenas 10% registraram queixa

Em um dos maiores roubos a banco do Brasil, ao menos R$ 30 milhões foram levados. Ação teve a participação de vigia noturno

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Divulgação/Deic
Pedras preciosas, joias e libras esterlinas recuperadas
Depois de dois meses do roubo a cofres particulares da agência do banco Itaú localizada na Avenida Paulista, o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) só tem a confirmação de que ao menos R$ 30 milhões foram roubados. O número é menor do que o esperado pela polícia porque apenas 15 pessoas registraram o roubo de seus cofres, o que representa pouco mais de 10% dos cofres roubados, sendo que 171 foram arrombados, mas 142 continham bens de valor como joias ou dinheiro.

“Agora é difícil aparecer mais alguém para prestar queixa”, afirma o delegado Rodolpho Chiarelli. Segundo a polícia, alguns clientes podem preferir fazer um acordo direto com o banco do que registrar o que foi roubado.

Se todas as pessoas prestassem queixa, o roubo ao Itaú poderia se transformar no maior evento desse tipo no Brasil. O roubo de R$ 164, 7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em 2005, é tido hoje como o maior do País.

De acordo com Chiarelli, a quadrilha, integrada por 13 homens, planejou o roubo por mais de um ano. “Eles precisavam de três condicionantes para efetuar o roubo: ter uma obra em andamento, um vigia e uma pessoa na Central de Segurança. Com isso fizeram a ação”, explicou.

Leia também: Polícia prende suspeito e encontra parte das joias roubadas do Itaú

Dos 13, três foram presos. O pedreiro Marco Antônio Rodrigues dos Santos, de 29 anos, havia sido preso no dia 15 de setembro. Na ocasião, a polícia recuperou um pacote com £10.840, algumas joias e pedras preciosas, além de uma máquina de cortar metais, chamada corte plasma. Chiarelli disse que até hoje ninguém foi à polícia dizendo ser dono das joias ou do dinheiro.

O segundo preso era o vigia noturno do Itaú Nivaldo Francisco de Souza, que primeiramente afirmou à polícia que teria sido rendido pelos bandidos, mas depois confessou a participação. Ele foi procurado meses antes do roubo por líderes da quadrilha e aceitou participar do crime.

O terceiro é Cleber da Silva Pereira, que trabalhava na Central de Segurança do Itaú e foi responsável pelo desligamento dos alarmes da agência na madrugada do roubo. Ele nega a participação, mas a polícia confirmou a suspeita ao ver imagens da Central. Os dois foram presos no dia 26 de setembro. Outros dez integrantes da quadrilha já foram identificados pelo Deic e têm mandado de prisão expedidos pela Justiça.

A polícia acredita que a maioria dos integrantes da quadrilha já tenha saído de São Paulo e investiga uma possível fuga pelo Aeroporto dos Amarais, localizado no bairro Campo dos Amarais, em Campinas. O local é destinado a aeronaves de pequeno porte, como jatos executivos e táxi aéreo.

Ação da quadrilha

“Só fica um vigia no Itaú de noite quando há uma obra”, conta o delegado Chiarelli ao explicar porque a quadrilha precisava roubar o banco em um fim de semana que houvesse uma obra na agência. Na ocasião, haveria uma reforma de cadeiras. Com isso, a quadrilha pode usar os uniformes cinza e capacetes azuis e entrar na agência sem chamar a atenção.

Segundo a polícia, quando há uma obra em alguma agência do Itaú, os alarmes de algumas áreas são desligados para não dispararem quando os trabalhadores passam pelos sensores. Na ocasião do roubo, Cleber trabalhava na Central de Segurança e alterou uma planilha do banco para solicitar o desligamento do alarme de toda a agência.

A quadrilha chegou ao Itaú às 23h50 do dia 27 de agosto, o vigia percorreu toda a agência para checar se os alarmes estavam mesmo desligados e os bandidos entraram pela lateral do prédio. Eles chegaram aos cofres às 6h do dia 28 e às 9h40 deixaram o local.

Reprodução / Deic
Quadrilha que roubou cofres: 3 líderes, vigia do banco, funcionário da Central de Segurança e outros integrantes
A polícia conseguiu desvendar toda a ação da quadrilha depois de analisar mais de 20 câmeras de segurança, entre câmeras da própria agência bancária, de prédios próximos ao local e das ruas. Chiarelli explicou que a maioria da quadrilha é da zona norte de São Paulo e que ela não tem relação com os maiores assaltantes de banco do Estado ou com facções criminosas.

Participação no roubo ao Banco Central

Os três líderes da quadrilha já têm passagem pela polícia por roubo e formação de quadrilha. Outro integrante, Wagner dos Santos, também têm passagem por receptação e porte de arma. Além disso, ele foi acusado de participar do roubo ao Banco Central de Fortaleza. O delegado Chiarelli explica que ele foi acusado, mas não foi reconhecido por ninguém, então sua participação não foi provada.

Para realizar o assalto, os ladrões abriram um túnel de 78 metros até o cofre do banco e levaram R$ 164,7 milhões. O cofre havia sido fechado às 18h do dia 5 de agosto de 2005 e o rombo só foi descoberto três dias depois, na manhã do dia 8.

    Leia tudo sobre: roubo ao Itaúcofres particularesquadrilhadeicsão paulo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG