Após críticas, PM envia e-mails para explicar ação no Pinheirinho

Mensagens foram enviadas em forma de newsletter e mostram, de maneira didática, como ocorreu a ação de reintegração de posse

Fernanda Simas, iG São Paulo | 26/01/2012 17:22

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Foto: Divulgação/PMSP Ampliar

Arte explica a versão da Polícia Militar sobre a reintegração de posse no terreno Pinheirinho

Depois de diversas críticas recebidas por conta da ação de reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos, a Polícia Militar do Estado de São Paulo realiza estratégia de comunicação para explicar sua versão.

E-mails enviados em forma de newsletter mostram os passos jurídicos que levaram à reintegração e como foi realizada a ação policial. A PM informou que enviou e-mails para pessoas já cadastradas em mailling. No entanto, um contador de São Paulo afirmou que recebeu o e-mail mas nunca se cadastrou no mailling da PM.

O e-mail enviado a diversos paulistanos começa com "caro amigo da Polícia Militar". No texto, a PM afirma que foi requisitada para apoiar a Justiça Estadual na reintegração e que planejou a ação por dois meses e meio, além de comunicar todos os envolvidos “por meio de ampla divulgação com uso de panfletos lançados de aeronave, comunicados à imprensa, além de contato direto estabelecido pelos policiais militares junto aos moradores”.

A corporação foi criticada por integrantes do Executivo e do Judiciário. O secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência, Paulo Maldos, ficou indignado com ação. Ele foi atingido por tiros de borracha disparados pela tropa de choque. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, considerou a ação violenta e disse que houve mortes, inclusive de crianças.

No primeiro dia da reintegração, o presidente do Conselho Federal da OAB escreveu em seu twitter: "O que está acontecendo em Pinheirinho é muito grave. É desobediência à ordem judicial. OAB-SP e OAB nacional estão agindo".

Saiba mais sobre a ação no Pinheirinho:

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Sem solução, apenas violência

O e-mail enviado nega que a PM tenha agido com violência e afirma ação ocorreu com “utilização exclusiva de técnicas não letais visando a preservação da integridade física da comunidade, bem como dos oficiais de Justiça”.

A corporação explica que vai investigar qualquer conduta inadequada de policiais e que a ação ocorreu “sempre dentro da legalidade e com respeito incondicional aos direitos humanos e às pessoas”.

A PM elaborou uma arte didática para explicar ao leitor a situação do Pinheirinho antes, durante e depois da ação da polícia.

Resultados
No comunicado enviado, a PM informa que 32 pessoas foram detidas por resistências, desordem e danos ao patrimônio público, nove pessoas foram presas, sendo três foragidas da Justiça, duas armas e três bombas caseiras foram apreendidas.

Para a corporação, os resultados da ação comprovam a preocupação anterior com “preparativos para o enfrentamento observado por alguns moradores, exibindo pontaletes, barricadas de madeiras e pneus, tudo para resistir à ordem judicial”.

<span>Durante o conflito e nos dias anteriores à chegada da polícia, houve incêndio de carros no local, provocados por coquetéis molotov. Creche e padaria foram atingidas</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Segundo os moradores, policiais utilizaram balas de borracha e gás de pimenta no domingo (22)</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Reintegração foi alvo de uma disputa entre a Justiça Estadual e a Federal. O caso foi transferido entre as duas esferas diversas vezes</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>PM continua presente na área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos. No domingo, o local foi cena de um enfrentamento entre moradores e polícia</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Clima ainda é tenso na área. Confronto se deu quando a PM cumpriu ordem da Justiça Estadual de reintegração de posse</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Segundo a PM, 1.600 pessoas já foram retiradas do local. Críticos acusam a polícia de se adiantar a uma negociação para a saída dos moradores</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Ocupação começou há quase uma década. Área tem 1,3 milhão de metros quadrados - equivalente a três vezes a área total do Vaticano</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Moradores locais afirmam que 80% das construções do Pinheirinho são de alvenaria. A comunidade tem ruas, várias igrejas, praças e comércio </span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Censo da Prefeitura de São José dos Campos mostra que 73,7% dos moradores vivem no local há mais de dois anos</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong> <span>Área pertence ao empresário Naji Nahas, conhecido por ser o protagonista de um escândalo financeiro nos anos 1980</span> - <strong>Foto: Flávio Forner / BBC Brasil</strong>

 

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