Após confronto, alunos pedem fim de convênio da USP com polícia

Estudantes afirmam que manterão ocupação de prédio da Filosofia até que Polícia Militar pare de atuar no campus Butantã

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) pede o fim do convênio entre a instituição e a Polícia Militar para atuação dentro do campus Butantã, na capital. Na noite de ontem, centenas de alunos entraram em violento confronto com a polícia em protesto pela detenção de três estudantes que teriam sido flagrados fumando maconha no estacionamento.

AE
Prédio ocupado por manifestantes na USP
Desde então, um grupo ocupa um prédio administrativo da Faculdade de Filosofia com cartazes contra a presença do polícia. O movimento também se voltou contra o reitor da instituição, João Grandino Rodas, acusado de tomar decisões sem consultar os estudantes.

O policiamento ostensivo na USP começou em setembro, após um convênio assinado pela reitoria com a PM em resposta a reclamações de falta de segurança. Em maio, um estudante de 24 anos foi morto com um tiro na cabeça após uma tentativa de assalto e manifestações pediam policiamento.

Cacetes, gás e pedras

No grupo de estudantes que mantinham a ocupação, havia jovens com vergões nas costas que garantiam ter apanhado dos policiais. Fotógrafos também registraram cenas de violência dos dois lados.

A estudante de Oceanografia, Lívia Melzi, de 26 anos, que não participava dos protestos, conta que assistiu ao momento em que o “quebra-quebra” começou. “Eu estava passando de carro quando um policial avisou da manifestação e pediu para eu parar o carro ali mesmo. Eu parei, desci e fiquei assistindo”, diz.

Segundo ela, um estudante abriu o porta-malas de um carro com caixas de som e começou a protestar contra os policiais em um microfone. “Ele falava do abuso da força quando dois policiais fecharam o porta-malas e arrancaram o microfone. Depois disso, só vi um cavalete voando para cima e começou o confronto. Os policiais estavam com cacetes, bombas de gás e até armas, foi covardia”, diz ela.

Convênio com a PM

A reitoria disse que não há previsão de reunião do Conselho Gestor sobre o assunto e que o reitor, João Grandino Rodas, não vai se pronunciar. As ações previstas no convênio com a PM, como a instalação de bases comunitárias e o efetivo de policiais no campus, ainda estão em fase de implementação. A promessa era de que fossem escolhidos policiais estudantes. Entretanto, a polícia começou a atuar em  caráter emergencial.

Em nota, os responsáveis pela ocupação afirmaram que o protestos seguirá “até que o convênio (USP- PM) seja revogado pela reitoria, proibindo a entrada da polícia militar no campus em qualquer circunstancia e a garantia de autonomia nos espaços estudantis.”

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