Apenas caminhões com escolta deixam distribuidoras, dizem sindicatos

Segundo sindicatos, número de caminhões que saem carregados com combustíveis de distribuidoras não é suficiente para atender a demanda

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Os presidentes dos sindicatos representantes ds distribuidoras e postos de combustível de São Paulo disseram nesta quarta-feira que a paralisação dos caminhoneiros autônomos transportadores de combustíveis atingiu toda a Grande São Paulo . Segundo eles, apesar da ordem judicial que determina a suspensão da greve sob pena de aplicação de multa diária de R$ 1 milhão , os caminhões-tanque só conseguem deixar as distribuidoras com escolta policial .

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Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz, alguns grevistas continuam em frente às distribuidoras e ainda nesta manhã impediam caminhões sem escolta policial de saírem.

AE
Caminhão tanque é carregado no terminal de distribuição da Petrobrás Distribuidora S/A. nesta quarta-feira
De acordo com Vaz, a Polícia Militar realizou, entre a manhã de terça-feira (6) e a tarde desta quarta, 41 comboios com 84 caminhões, número insuficiente para abastecer os postos da capital. Normalmente, são feitas duas mil viagens.

Dos 30 milhões a 40 milhões de litros que são necessários diariamente, apenas 2 milhões chegaram a seu destino, sendo que 10% foram para postos e o restante para serviços essenciais, como hospitais, aeroportos e postos de polícia.

"Cerca de seis caminhões tentaram sair da base sem escolta, mas foram abordados por grevistas e voltaram", informou Vaz.

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De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, a partir da volta da distribuição total de combustível, há uma expectativa de que a situação se normalize em um prazo máximo de oito dias. Contudo, esse tempo que pode ser reduzido para quatro dias caso a Prefeitura de São Paulo aceite um pedido do Sincopetro, feito no início desta tarde.

Um ofício enviado para a Prefeitura e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pede que a restrição da circulação dos caminhões-tanque na Marginal Tietê e em outras 27 vias da cidade seja suspensa por sete dias. "Queremos um prazo maior para atender a população, depois a restrição voltaria ao normal”, explicou Gouveia.

Ele afirmou que existem cerca de 3.800 postos na Grande São Paulo e que quase todos sofrem com a falta de combustível. “Muito próximo de 100% desses postos estão sem gasolina nesta quarta-feira. Alguns ainda têm etanol e diesel. Desde a hora do almoço de ontem [terça-feira], um posto vendeu 60 mil litros de gasolina, o equivalente a uma semana de venda."

O sindicato informou ter recebido em torno de 40 denúncias sobre preços abusivos de postos e ter enviado todas ao Procon. “Vejo isso como uma traição ao consumidor. Nesse momento, houve abuso", disse Gouveia.

Mais tarde, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo informou que não vai atender ao pedido feito pelo Sincopetro-SP. Por meio de nota, a Secretaria disse que os horários definidos para o transporte de cargas são suficientes para as empresas realizarem o abastecimento. Segundo a Secretaria, o setor domina a logística necessária para normalizar o problema dos combustíveis em São Paulo “no prazo mais curto possível, cumprindo as regras de circulação”.

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