'Ansiosos' e 'apavorados', colegas de Davi voltam às aulas

Escola Professora Alcina Dantas Feijão retoma as aulas após estudante de 10 anos atirar contra professora e se matar

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Cinthia Rodrigues/iG
Ana Carolina, que apesar de assustada, queria rever amigos e voltar à rotina
Os colegas da mesma etapa de ensino de Davi Mota Nogueira, de 10 anos, que atirou contra a professora e se matou , retornaram no perído da tarde à escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul,  na Grande São Paulo. Emocionados e carregando flores brancas, os sentimentos eram conflitantes. Alguns, estavam ansiosos para voltar à rotina e tentar esquecer as cenas da última quinta-feira. Outros, apavorados, temiam que o tiro se repetisse e não queriam permanecer na escola. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, apenas um aluno da sala de Davi não compareceu às aulas.

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Estudante da mesma classe de Davi, Ana Moura Duarte, de 9 anos, disse que queria voltar logo para a escola. “Ficar em casa foi ruim. Sem nada para fazer, eu ficava lembrando”. Ela ouviu o menino atirar e correu para buscar ajuda. Segundo conta, a professora havia acabado de entrar na sala e ainda arrumava o material sobre a mesa quandou ouviu um disparo de arma de fogo. Logo em seguida, Davi já estava na porta. “Em seguida teve outro barulho e percebemos que ele tinha atirado nele próprio.” Ao colega, ela descreve com elogios: calmo, quieto, engraçado e só tirava notas boas.

Do 6º ano, Ana Carolina Arroio, de 12 anos, diz que está sem dormir direito desde a semana passada. Ela viu o corpo de Davi no chão do corredor e foi avisar a turma da sala dela, que já tinha entrado em classe para a próxima aula. “A gente tem de tentar esquecer, mas em casa eu acho mais difícil. Eu queria voltar e ver minhas amigas.” A estudante carregava flores e vestia uma camiseta branca com a frase "Para um mundo melhor pratique a felicidade”.

Cinthia Rodrigues/iG
Chorando e tremendo, Kimberly lembra a morte do colega e teme novos tiros na escola

Kimberly Galonetti, de 15 anos, colega de classe do irmão de Davi, não queria voltar para a escola. Abraçada por amigas que tentavam convencê-la a entrar, ela pedia à mãe para voltar para casa. “E aí? E se tiver um tiro de novo? Quem me garante? Ninguém achava que ia acontecer antes”, dizia tremendo e chorando.

A mãe de Kimberly, Marta Galonetti, não cedeu à pressão da filha e a levou até o interior da escola. “O que aconteceu foi uma fatalidade. Não acredito que o guarda municipal (pai do garoto) tenha negligenciado a arma e estou tentando convencê-la de que foi um acidente que poderia ter acontecido em qualquer lugar. Esta escola é excelente e quero que ela continue estudando aqui.”

A professora Cristiane Romero, de matemática, chegou à escola com lágrimas nos olhos. Ela ficou responsável por ficar com o irmão de Davi até a chegada dos pais no dia em que o menino se matou. Ela conta que ele demonstrava ser mais forte que ela. “Acho que porque eles são evangélicos eles têm mais força do que eu. No dia ele me disse: ‘A missão do meu irmão acabou. Ele tinha de passar 10 anos com a gente.’” Ela também levou uma rosa para que um dos colegas leve para a família do menino.

Ato de paz

Alunos do período da tarde da escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão fizeram um ato de paz às 15h30 no pátio do estacionamento. Emocionados, soltaram balões e escreveram o nome de Davi com rosas brancas no chão.

Carolina Garcia
Alunos soltam balões em ato de paz na escola Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul

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