Ambulantes deixam a área da Feira da Madrugada, mas prometem voltar à noite

Na madrugada, camelôs sem licença para montar bancas nas ruas se envolveram em confrontos com fiscais da prefeitura e policiais

Agência Brasil |

Os vendedores ambulantes do bairro do Brás, região central de São Paulo, decidiram deixar a rua Oriente enquanto aguardam uma resposta da prefeitura sobre a permanência ou não da chamada Feira da Madrugada no local. Durante a madrugada, camelôs sem licença para montar bancas nas ruas se envolveram em confrontos com fiscais da prefeitura paulistana e policiais militares . No final da manhã, uma comissão foi chamada para uma reunião na subprefeitura da Moóca (zona leste) para discutir o problema.

Entenda o caso: Camelôs da Feira da Madrugada protestam no centro de São Paulo

AE
Tropa de Choque da PM foi acionada para controlar o confronto entre vendedores ambulantes e polícia
De acordo com representantes do Sindicado dos Ambulantes Independentes de São Paulo, os camelôs vão voltar para as ruas esta noite, seja para montar bancas ou para retomar as manifestações, caso a prefeitura decidida manter a decisão de coibir o comércio ilegal.

Durante toda a manhã, a maioria das lojas permaneceu fechada. Os comerciantes temiam novas confusões e tumultos nas ruas. Yasser Ghobar, que vende roupas, reclamou do prejuízo causado pelo fechamento da loja, mas disse que os camelôs em nada atrapalham os lojistas tradicionais. “Eles começam a trabalhar às 3h da madrugada e às 8h da manhã não tem mais nada. Para nós não atrapalha. Mas quando tem essas confusões as pessoas não vêm comprar”.

O comerciante George Barros, por sua vez, disse que a Feira da Madrugada até atrai compradores para as lojas. Durante a manhã, ele manteve a porta da loja fechada. “Eu sou a favor de que a feira continue de madrugada de uma forma organizada. Na calçada, não atrapalha ninguém”. Ele ressaltou que, há três anos consecutivos, convive com esse problema, sempre nessa época do ano, quando o Natal se aproxima.

Alex Omar Cabral, um dos representantes dos ambulantes, defende o trabalho nas ruas. “Não prejudicamos nada, porque ficamos de madrugada, quando o comércio está totalmente fechado. Nós contribuímos para a melhoria da cidade e fizemos dessa área um polo de compras”. Para ele, o argumento de que os produtos vendidos são ilegais, assim com a permanência deles no local, é apenas uma forma de desestabilizar o grupo.

Débora dos Santos disse que trabalhou como camelô a vida inteira e que não sabe o que poderia fazer caso seja proibida de montar a banca de produtos. “Eu tenho 31 anos, nunca trabalhei registrada [com carteira ssinada] e não tenho estudo. Eu pergunto, qual a empresa que abrirá uma porta para mim?”.

De acordo com o major da Polícia Militar Wagner Rodrigues, do comando de policiamento para a área central da cidade, a ação para coibir o comércio ilegal começou na noite de ontem e visava a impedir a montagem da Feira da Madrugada. Foi quando um grupo de cerca de 200 pessoas protestou contra a ação. “Houve alguns atos de vandalismo praticados por ambulantes, que incendiaram dois veículos na madrugada, mas durante a manhã, ficou tudo tranquilo. Estamos conversando com as lideranças e não houve mais confronto”, disse o major.

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