Alga de sapato de Mizael é compatível com represa, afirma perito

Juiz encerrou terceiro dia de audiência sobre caso Mércia com perito. Mizael Bispo e Evandro serão ouvidos na quinta

Lectícia Maggi, iG São Paulo |

Interrogado por quase duas horas pelo juiz Leandro Bittencourt Cano, da Vara do Júri de Guarulhos, na Grande São Paulo, o perito Renato Patoli, que chefiou a equipe de perícia sobre o assasinato de Mércia Nakashima, afirmou perante o juiz que a alga encontrada no sapato de Mizael Bispo de Souza - um dos acusados da morte da advogada - é compatível com as presentes na represa de Nazaré Paulista. Mércia desapareceu no dia 23 de maio após deixar a casa da avó e seu corpo foi encontrado boiando na represa no dia 11 de junho.

AE
Perito Renato Patoli chega ao Fórum de Guarulhos para audiência
“O sapato estava limpo e com pontos de terra onde havia matéria orgânica”, afirmou. Segundo ele, a alga tem características muito peculiares e só se desenvolve em profundidade entre aproximadamente 10 e 60 centímetros e em águas calmas. Em rios, por exemplo, ela não sobrevive. Apesar das especificidades, ele afirmou ser possível encontrá-las em outras represas.

No sapato do acusado, de acordo com Patoli, foi localizado fragmento de osso e uma mancha compatível com sangue que só foi descoberta após análise microscópica. Por conta da quantidade ínfima de material, não foi possível realizar exame de DNA para determinar de quem era. O sapato também apresentava partículas de chumbo provenientes de disparo de arma de fogo.

O perito disse que foram localizados pedaços de osso de dente e dois projéteis sendo que um deles atravessou o banco traseiro e se alojou no estepe do carro da vítima. “Um tiro foi dado dentro do automóvel, posso afirmar categoricamente", afirmou acrescentando que sobre o outro tiro não é possível afirmar em razão do tempo que o carro ficou na água. Por conta do estado deteriorado do Honda City ele explicou que não foi possível localizar digitais. Segundo ele, o teto do veículo foi amassado por conta da retirada da água.

Reconstituição

Patoli acompanhou toda a reconstituição do crime e permaneceu a maior parte do tempo ao lado do pescador, que afirma ter ouvido gritos e visto o carro afundando, na outra margem da represa de Nazaré Paulista. "Sem dúvida, o pescador viu tudo o que relatou", considerou.

A defesa de Mizael, que fez a maioria das perguntas ao perito, insistiu em questões sobre o rastreador do Kia Sportage já que o relatório aponta que às 17h17 ele ficou parado na rua Domingos Alves, mas os advogados afirmam que ele estava andando. O perito afirmou que o veículo não parou e o que aconteceu foi um “erro de digitação” mas que não prejudica a perícia porque não é uma rua importante para a dinâmica dos fatos.

Audiência

O juiz Leandro Bittencourt Cano, da Vara do Júri de Guarulhos, na Grande São Paulo, começou a ouvir, na segunda-feira, as testemunhas que podem ajudar a esclarecer o assassinato de Mércia Nakashima, de 28 anos. Esta é a 1ª audiência de instrução do caso.

Na segunda-feira, foram ouvidas as testemunhas de acusação . Na terça, as de defesa . Nesta quarta, falaram três testemunhas do juízo, incluindo o perito. Restam agora testemunhos do ex-namorado da vítima Mizael Bispo de Souza, policial militar reformado e advogado, e o vigia Evandro Bezerra da Silva, acusados de ter assassinado a advogada. O juiz deixou para esta quinta-feira os depoimentos dos dois. Como a audiência seria encerrada às 19h, não haveria tempo de ouvir Mizael e Evandro. O advogado de acusação pediu ao juiz que os dois fossem ouvidos no mesmo dia para evitar "conversa" entre eles.

Cano declarou que não vai decidir sobre a pronúncia - se os réus irão ou não a júri popular - antes do julgamento do habeas corpus que foi impetrado no Tribunal de Justiça de São Paulo. Este habeas pede que esse eventual júri seja transferido de Guarulhos para Nazaré Paulista porque foi lá que o corpo foi encontrado. “Aqui (Guarulhos) não tem imparcialidade”, diz defesa de Mizael Bispo.

O juiz também pediu um laudo para a empresa Graber para saber se o rastreador de Mizael apresentou defeitos em 2010. O promotor, porém, afirmou que mesmo em caso positivo isso não deve interferir no andamento do caso. “De qualquer forma, o problema foi posterior ao fato, o que é irrelevante. O Mizael mesmo confirmou o itinerário que fez no dia 23. Quanto mais eles falam, mas se enforcam”.

Em frente ao fórum de Guarulhos, diversos populares vestindo camisetas com fotos de Mércia gritavam “Justiça” e “assassino”. Quando saiu, o advogado de Mizael, Samir Haddad, também foi hostilizado. “Fico chateado, já que não se faz Justiça ofendendo advogados e réus”, disse a imprensa. Aos populares pediu: “Não julguem para não serem julgados. Vocês não leram o processo e não sabem o que estão falando. Um dia ainda vão precisar de advogado”, gritou o advogado.

Ele afirmou que pediu transferência do eventual júri popular para Nazaré Paulista justamente porque em Guarulhos há uma pressão pela condenação do dois. “Há uma comoção também porque a família da vítima é daqui. E isso não deve interferir na decisão”.

O promotor disse que a decisão do juiz, de adiar a pronúncia até que se tenha uma decisão do TJ, foi acertada. Antunes enfatizou que não dá para se ter pressa e que o atraso será de 15 a 20 dias no máximo. “Caso ele proferisse a decisão, ela poderia ser nula”.

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