Alckmin quer punir PMs que xingaram homens baleados em vídeo

Para governador vídeo é ato criminoso. Corregedoria investiga os 10 agentes envolvidos em gravação em que jovens são humilhados

AE |

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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, classificou de ato criminoso a conduta dos policiais militares que aparecem em um vídeo insultando e ameaçando dois homens baleados que tentaram assaltar uma metalúrgica. De acordo com Alckmin, as imagens são de 2008, mas a corporação investiga se o vídeo já era de conhecimento dos policiais. Ele disse que quer os culpados "rigorosamente punidos".

"Esse vídeo mostra um ato criminoso e estamos verificando o caso", afirmou o governador em entrevista coletiva, após anunciar a redução dos índices de mortalidade de crianças no Estado, no Hospital Infantil Cândido Fontoura, na zona leste da capital paulista.

Alckmin disse ainda ser difícil não haver nenhum desvio de conduta entre policiais, considerando que cerca de 140 mil pessoas fazem parte da Polícia Militar (PM), da Policia Civil e da Polícia Científica em São Paulo. Ele defendeu punições mais rápidas aos culpados e maior rigor no ingresso de servidores na força policial por meio dos concursos públicos. "O problema é a demora na punição, e precisamos também de maior rigor no ingresso dos policiais".

Policiais investigados

Os dez policiais militares envolvidos no caso já estão sendo investigados pela Corregedoria da PM. Na quinta-feira (25), o comando da corporação informou que só teve conhecimento do caso na quarta, quando o vídeo ganhou repercussão na imprensa. O major Levi Anastacio Felix, da Corregedoria da PM, afirmou que o episódio é grave. "Vamos individualizar as condutas e adotar as medidas processuais", disse, sem precisar quais sanções poderão ser aplicadas.

Quatro viaturas foram destacadas. Os policiais são do 38.º Batalhão da PM - um deles é tenente e o veículo é da Força Tática. Os PMs não teriam disparado nenhum tiro e fizeram o transporte dos baleados. Um deles, Tiago Silva de Oliveira, então com 21 anos, morreu três dias após o crime. O outro era menor de idade à época e, segundo o comando da PM, cumpriu medida socioeducativa. Hoje está livre. E na quinta-feira, ele disse à polícia não ser capaz de reconhecer quem fez o vídeo e os agrediu verbalmente.

Vídeo

Na gravação um baleado aparece agonizando, enquanto o autor da vídeo afirma "estrebucha, filho da p., estrebucha, vai". As imagens mostram o jovem com espuma escorrendo pela boca e um segundo criminoso também no chão. É possível identificar sons do rádio da polícia, além da bota e de um cinto da PM. A cena ocorreu em 9 de maio de 2008, no Parque São Rafael, zona leste de São Paulo. Os dois homens que aparecem sendo hostilizados, já no chão, haviam roubado uma metalúrgica na vizinhança e, na fuga, foram surpreendidos por um oficial da Guarda Civil Metropolitana. Houve troca de tiros e a PM só teria chegado ao local depois.

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