Alckmin elogia coragem de mulher que denunciou execução em SP

Mulher que ligou para a PM denunciando o assassinato poderá ficar sob proteção da Justiça caso se sinta desprotegida

iG São Paulo |

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, elogiou a testemunha de Ferraz de Vasconcelos que ligou para o número 190 da Polícia Militar relatando a execução de um rapaz por dois policiais . "Esta é uma mulher que teve uma atitude exemplar, corajosa, firme, denunciando um caso gravíssimo”, afirmou durante um evento na manhã desta terça-feira.

A mulher não está inscrita no Programa Estadual de Proteção a Testemunhas (Provita), da Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo. Contudo, de acordo com o tenente coronel Roberto Fernandes, do 29° Batalhão, ela já está sob proteção da Corregedoria da Polícia Militar “devido ao conteúdo das informações que deu” e, caso se sinta desprotegida, o programa será acionado.

Para fazer parte do Provita, é necessário que um pedido formal seja feito à Secretaria pela própria vítima, por um delegado ou pelo promotor de Justiça. Em alguns casos, o juiz faz esse pedido, mas, geralmente, antes do processo chegar ao conhecimento dele, a vítima já está sob proteção do programa.

Segundo a Secretaria Estadual de Justiça, nos últimos dez anos (de 1999 a 2010), 682 casos foram inscritos no Provita e 2048 pessoas – entre testemunhas e familiares – foram protegidas.

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Os soldados Ailton Vital da Silva e Filipe Daniel da Silva, da 4ª Companhia do 29° Batalhão da Polícia Militar são acusados de assassinar o rapaz Dileone Lacerda de Aquino, de 27 anos, no último dia 12.

Uma mulher que visitava o túmulo do pai no Cemitério Parque das Palmeiras viu a cena e ligou para o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), no número 190. "Olha, eu estou no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos e a Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui do lado da sepultura do meu pai", contou ao policial que a atendeu.

Na ocasião, os dois policiais registraram um boletim de ocorrência de roubo seguido de resistência e morte. Na versão deles, Dileone teria roubado uma van e, depois de ser perseguido, saiu atirando contra os policiais e resistiu à prisão. Contudo, a versão foi desmentida nessa segunda-feira (04), depois que a ligação feita pela testemunha no cemitério foi divulgada.

De acordo com a polícia, Dileone já tinha passagens por roubo, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão. Ele foi preso em Bauru, no interior de São Paulo, e é egresso do sistema prisional desde 24 de agosto de 2010. O rapaz estava morando com os pais no bairro Itaim Paulista, zona leste da capital.

Os dois policiais – Ailton Vital com 18 anos de carreira na PM e Filipe Daniel com cinco – decidiram se manifestar apenas em juízo, mas estão presos no presídio Romão Gomes e vão responder por homicídio. O auto de prisão em flagrante foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar e será encaminhado à Justiça comum.

Eles também serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. “Se a conduta [dos policiais] for considerada desonrosa e ferir a moral da PM eles podem até ser punidos com a expulsão [da Corporação]”, explica o tenente coronel Fernandes.

Alckmin, ainda no evento desta manhã, reforçou que os dois acusados serão punidos. “Nós não passamos a mão na cabeça de bandido. Eles serão expulsos da polícia e responderão a processo criminal."

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