Alagado e ilhado, hospital psiquiátrico transfere detentas

Água chega a 2 metros em unidade feminina e cerca de 90 mulheres devem ser transferidas para centro de detenção em Franco da Rocha

Matheus Pichonelli e Leandro Beguoci, iG São Paulo |

Noventa mulheres que estão detidas no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico I, em Franco da Rocha (a 47 km de São Paulo), terão de ser transferidas provisoriamente para um Centro de Detenção Provisória feminino do município após a unidade onde estavam abrigadas ficar alagada e ilhada em meio às fortes chuvas que atingiram a região desde o início da semana.

AE
Centro de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, alagado desde abertura das comportas de represa

As águas que atingiram a área chegam a dois metros de altura. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), do governo estadual, as dificuldades para transferir as detentas são “enormes”, mas a manutenção das mulheres no local é inviável.

O hospital prisional abriga presos e presas considerados portadores de doenças mentais e que foram detidos por meio de medidas de segurança.

nullSoldados da Polícia Militar do Estado foram deslocados para a unidade para auxiliar a operação.
De acordo com a SAP, apesar das dificuldades, o fornecimento de medicamentos e alimentos aos internos do hospital não foi prejudicado pelas chuvas.

A secretaria informou também que tem em mãos um plano de contingência caso seja necessário transferir os homens no hospital, que abriga 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) detentos. O local para onde eles podem ser levados não foi divulgado por motivos de segurança.

Franco da Rocha tem 131 mil habitantes e cerca de 8 mil detentos, nas contas da prefeitura local.  Como está localizada em um vale, entre o rio Juqueri e o ribeirão Eusébio, problemas decorrentes de alagamentos são constantes na região. 

Desta vez, a alta precipitação fez com que a cheia se concentrasse no rio Juqueri, que faz ligação com a represa Paiva Castro – parte do sistema Cantareira.

Com a água no limite e com risco de rompimento, segundo a Sabesp, a comporta da represa foi aberta entre terça-feira e quarta-feira. O alagamento deixou ao menos 35 famílias desalojadas. A cidade, desde então, está praticamente isolada, com prédios públicos da Prefeitura, fórum, delegacia e Câmara Municipal debaixo d'água.

A linha de trem entre Franco da Rocha e Caeieiras, município vizinho, está interrompida desde o fim da tarde, e o governo estadual teve de disponibilizar ônibus gratuitos para transportar os habitantes de uma cidade para outra.

A orientação da prefeitura para os habitantes é que, enquanto durarem as cheias, as pessoas evitem nadar ou mexer em fiações em suas casas e, se estiverem em área de perigo, prestar atenção em eventuais deslocamentos de terra – que podem dar origem a deslizamentos.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG