Advogado acusado de abuso sexual em Bauru se apresentará amanhã à polícia

Segundo a polícia, Sandro Fernandes teria abusado da filha, do filho, da cunhada e de uma sobrinha

Kelli Franco, especial para o iG |

O advogado e assessor sindical Sandro Luiz Fernandes, 45 anos, adiou seu depoimento para sexta-feira (30) às 9h na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru (326 km de São Paulo). Fernandes, que já era acusado de atentado violento ao pudor por supostamente ter cometido abusos sexuais contra a sobrinha, a cunhada e a filha, foi acusado de estupro de vulnerável, nesta quarta-feira (28), pelo filho de 9 anos. Anteriormente, ele iria se apresentar à polícia para prestar esclarecimentos nesta quinta-feira.

A diferenciação dos crimes acontece porque o abuso cometido contra as meninas teria acontecido antes da mudança legislativa em 2009. Os abusos contra o filho teriam acontecido até agosto deste ano. Segundo uma tia do menino, ele teria relatado que sofreu abusos sexuais “mais de 30 vezes” e que a mãe sabia do crime e nada fez. O delito de atentado violento ao pudor prevê pena de 6 a 10 anos de prisão. Para o crime de estupro de vulnerável a pena é de 8 a 15 anos. “Quando eu contei para a minha mãe, achei que ia parar, mas se ela não me ajudou. Quem ia ajudar?”, diz a filha.

A mulher de Sandro, mãe dos dois filhos dele e que teria sido conivente com o caso, também havia sido intimada para depor nesta quinta-feira, mas em horário diferente do do marido. Segundo a delegada que cuida do caso, Priscila Bianchini de Assunção Alferes, ela seria ouvida já na condição de investigada e não mais na condição de testemunha. “Há indícios fortes de que ela teria sido conivente”, explica Priscila. Caso seja comprovada a omissão da mãe das vítimas, ela poderá ser indiciada como coautora do crime e está sujeita às mesmas penas do autor.

O filho de Sandro teria contado sobre os abusos para a irmã e para a tia, que cuida dos dois, quando elas tentavam explicar para ele o que era pedofilia e como podia acontecer na família. “Meu pai faz isso comigo, eu não sabia que era crime”, teria relatado às duas. Nesta quarta-feira, ele depôs na DDM e fez exame de corpo delito no IML (Instituo Médico Legal) de Bauru.

A delegada da DDM não descarta pedir a prisão preventiva de Sandro Fernandes após depoimento dele e da mulher. Um pedido de prisão temporária por 30 dias foi negada pelo juiz da segunda Vara Criminal de Bauru, Jaime Ferreira Menino, nesta terça-feira. O juiz entendeu que a medida cautelar que vigora até o dia 8 de outubro e garante que Sandro não pode se aproximar das vítimas e nem voltar para casa é o suficiente.

“A prisão temporária era para que eu tivesse tranquilidade para investigar. Eu tendo indícios fortes de que ele é o autor, eu posso pedir a preventiva”, explica Priscila.

O advogado de Sandro Fernandes, Hélio Marcos Pereira Júnior, que já havia dito que o cliente estava à disposição da Justiça na terça-feira, não atendeu o celular nesta quarta, após as acusações do filho de Sandro.

Após as primeiras denúncias, na segunda-feira, Sandro informou que estava “a caminho de Bauru” e afirmou também que havia “interesses” por trás das acusações, mas preferiu não dar detalhes. Ele também rebateu a informação de que estaria foragido da Justiça. Segundo Hélio, é interesse de Sandro dar a versão dele dos fatos que é “bem diferente” das apresentadas até aqui.

Como tudo começou

A filha de Sandro Fernandes relata que sofreu abusos sexuais dos 8 aos 16 anos. Atualmente, ela tem 18 anos. O mesmo aconteceu com a cunhada, que teria sofrido abusos quando tinha 10 anos. Hoje, ela também está com 18 anos. A terceira vítima, a sobrinha, teria sido abusada quando ia visitar os parentes em Bauru. A família dela mora em Curitiba e os abusos teriam acontecido quando ela tinha entre 9 e 10 anos. Atualmente, ela tem 13.

Quando Sandro viajou com a esposa em férias para a Europa, no final de agosto, a filha acabou contando para uma tia que era abusada pelo pai. Essa tia, mãe da menina de 13 anos, disse ter descoberto pouco tempo depois que a filha dela e a cunhada de Sandro também sofreram abusos. As duas meninas, já maiores de idade, decidiram, então, procurar a polícia, aproveitando a ausência do advogado.

No dia 1 de setembro foi registrado o boletim de ocorrência na DDM, mas tudo foi mantido em sigilo. No último dia 26, as vítimas resolveram convocar a imprensa e dar detalhes dos fatos.

“Ele só me apalpava quando eu estava dormindo. Senão ele só se exibia”, conta a cunhada. “Eu pensava que era só comigo”, completa. Ainda segundo os relatos, em nenhum momento houve penetração com as vítimas.

Por meio dos seus advogados, Sandro se limitou a dizer: “Estou me inteirando das acusações”.

Quem é Sandro Fernandes

Sandro Fernandes é advogado do Sinserm (Sindicato dos Servidores Municipais) há 14 anos e do Sindicato dos Bancários de Bauru e região há 20 anos. Foi filiado ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) até 2008. Ele deveria ter voltado ao trabalho no sindicato dos bancários na segunda-feira, mas ligou pedindo mais alguns dias de folga. Na segunda-feira, ele já tinha sido informado sobre as acusações. Ele alegou estar em São Paulo em compromissos.

Sandro foi candidato a prefeito em 2004 e a vereador em 2000 e em 2008. Em 2008, foi o nono candidato ao Legislativo mais votado em Bauru. Só não conseguiu a vaga na Câmara dos Vereadores porque a coligação dele não conseguiu o número mínimo de votos necessário. Sandro recebeu 2.519 votos com bandeiras como o combate à corrupção.

O advogado também é dono de um conceituado escritório de advocacia na cidade, além de já ter sido membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subsede Bauru. O atual presidente da comissão, Gilberto Truijo, afirmou estar chocado com as acusações. A maioria das pessoas ligadas a Sandro prefere ter cautela e torcer para que as acusações não sejam verdadeiras.

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