Adolescentes acusados de agressão são estudantes de classe média

"Estão todos chorando. Não são marginais", diz mãe de jovem. Grupo teria usado lâmpadas fluorescentes para agredir na av. Paulista

iG São Paulo |

Dos cinco jovens acusados de agressão a homossexuais, quatro são adolescentes de 16 anos que frequentam a mesma escola no bairro do Itaim Bibi, região nobre da capital paulista. O único maior de idade foi identificado como Jonathan Lauton, de 19 anos. As famílias dos menores, todos de classe média, foram hoje até a 5ª Delegacia Policial, onde os amigos estão detidos. Os agressores teriam utilizado lâmpadas fluorescentes para ferir as vítimas durante o crime, que ocorreu no início da manhã deste domingo na região da Avendia Paulista.

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Mãe de agressor: "Estão todos chorando"
De acordo com a mãe de um dos menores, Soraia Castro, publicitária de 37 anos, os garotos "estão todos chorando" na delegacia. "A gente não sabe o que aconteceu, mas eles não são marginais. Todos têm pais, vão para a escola", disse. Soraia classificou o crime de "confusão" e justificou que os garotos estavam "em grupo, na noite". "Estão todos chorando lá dentro (da delegacia), e um está machucado", afirmou.

O advogado que representa um dos agressores, Orlando Machado, alegou que a violência foi motivada. "Eles foram abordados pelas supostas vítimas e houve uma paquera, digamos assim. Eles não concordaram e acabou havendo o entrevero", disse.

Machado ressaltou que uma das vítimas, que está internada no Hospital Vergueiro, também agrediu seu cliente. "Então, sabe como é, acabou virando uma briga generalizada", afirmou. O advogado disse, ainda, que os jovens não são skinheads, como chegou a ser divulgado pela polícia.

O pai de um dos acusados, o ator e produtor de teatro Marcelo Miguel Costa, contou ao iG que seu filho convive diariamente com homossexuais. "Eu trabalho no meio artístico, e meu filho convive sempre com gays. Ele não tem nenhum tipo de preconceito com pessoas dessa opção sexual. Ele não é homofóbico", garantiu.

"Eu sempre preguei a paz para ele. Meu filho é uma pessoa tranquila, nunca se meteu em confusão. Essa foi a primeira. Acho que esse fato foi uma lição para ele", disse Costa.

Para o delegado responsável pelo caso, Alfredo Jang, foi um "crime continuado". "Agrediram uma vítima e, logo na sequência, agrediram outra com o mesmo modus operandi , sem possibilidade de defesa da vítima", afirmou. O delegado classificou as agressões de "covardes" e "gratuitas".

Os adolescentes devem ser transferidos para a Fundação Casa, antiga Febem.

AE
Jovem L.A, 23 anos, foi agredido por cinco jovens, na manhã deste domingo, na Avenida Paulista, região dos Jardins em São Paulo

As agressões

Segundo a 5ª DP, o grupo realizou o primeiro ataque contra dois rapazes, por volta das 6h30. Um deles ficou com vários ferimentos no rosto depois de ser agredido com duas lâmpadas fluorescentes usadas como arma. Ele foi levado para o Hospital Oswaldo Cruz e já foi liberado. O outro ferido permanece em observação no Hospital Vergueiro, de acordo com a Polícia Militar.

O segundo ataque foi logo pouco depois, contra outro rapaz, que não sofreu ferimentos e não precisou de atendimento médico. As pessoas agredidas têm entre 20 e 23 anos, segundo a polícia. Segundo o boletim, a quarta vítima ouviu gritos de um indivíduo na Avenida Paulista vindo em sua direção. Esse indivíduo, de acordo com o relato, começou a dar socos e chutes na vítima sem falar nada. Durante a agressão, celular e carteira da vítima caíram no chão e foram roubados.

(Com reportagem de Marcio Apolinário, iG São Paulo)

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