A luta deve ser constante, diz chefe da polícia de São Paulo

Comandantes de setores da polícia apontam os caminhos que foram e serão adotados para reduzir a criminalidade em São Paulo

Daniel Torres, iG São Paulo |

Mesmo com os índices de criminalidade apresentando quedas consecutivas no Estado de São Paulo, o comando a Polícia Civil no Estado sabe que o caminho trilhado até agora no combate a criminalidade é resultado de uma série de fatores que devem ser mantidos e aperfeiçoados ao longo do tempo. "O que vem dando certo precisa ser mantido porque o patamar atual não é suficiente. A luta por índices cada vez menores deve ser constante", afirma o Delegado Geral de Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima. 

Divulgação/SSP
Inteligência da polícia também ajuda a esclarecer casos de tráfico de drogas
O destacamento de um número maior de policiais para a área de investigação é apontada como uma das melhorias no serviço da polícia. Além do processo de esvaziamento das cadeias nas delegacias, que ocupava agentes para o trabalho de carcereiros, e da transferência do Detran da responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública (SSP),  outras funções também deixaram de ser desenvolvida pelos policiais civis. “O policial deve estar focado em melhorar a qualidade da investigação, para quando o nosso trabalho chegar à mão de um promotor de Justiça ele seja de qualidade e que possa haver a condenação do criminoso. Mas tudo ainda é um processo que está em andamento. Temos que mantê-los e ampliar essas ações."

Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Adorno, os vícios do sistema policial brasileiros ainda dificultam o alcance do objetivo final de uma apuração criminal, que é a responsabilização dos culpados. “A investigação no Brasil é muito calcada nas provas testemunhais e menos nas provas técnicas. O ideal é ter provas técnicas e deixar as provas testemunhais apenas como confirmação daquilo que é apontado como hipótese do crime”.

Com os homicídios em queda constante na última década, o governo paulista tem a missão de reduzir os números do outros crimes de maneira substantiva. Foi apenas nesse último ano que o Estado conseguiu reverter uma tendência de alta nos crimes contra o patrimônio. Segundo a Secretaria de Segurança, entre as principais ações adotadas neste sentido foi o investimento em inteligência e comunicação, em novas prioridades de trabalho, na escolha de novos gestores para as polícias e na aquisição de novas armas e viaturas.

Os sistemas Registro Digital de Ocorrências (RDO), Informações Criminais (Infocrim) e o Fotocrim, da PM, que permitem a indicação dos dias, horários e locais de maior incidência criminal, além das imagens de procurados pela polícia, foram levados a unidades policiais de todo o Estado. Além disso, as cidades polo de todas as regiões do interior e litoral passaram a contar com um sistema da radiocomunicação digital, o que acelera as comunicações entre os policiais e não podem ser interceptadas por terceiros.

E foi usando a inteligência que polícia da capital paulista conseguiu melhorias nos índices de homicídios. Para o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, titular da Delegacia de Homicídios entre 2001 até 2007, e de volta ao cargo neste ano, a especialização da área de inteligência policial torna o trabalho de investigação mais eficiente.

"Em 2007, já com os índices de homicídios bem inferiores do que já era antes, nós observamos que havia a necessidade da criação da especialização do trabalho da polícia. Foi aí que criamos um grupo especializado no local do crime, que é o Geacrim. Semanalmente, nós temos dois ou até mais homicídios esclarecidos imediatamente no próprio local, ao contrário de antes, quando isso praticamente inexistia. Isso porque a equipe responsável pelo levantamento do local era a mesma equipe encarregada da investigação, que tem outras preocupações."

Divulgação
Trabalho de identificação de digitais feito por policiais do Geacrim
Para Costa Filho, outra medida implantada na área de homicídios poderia trazer frutos no combate aos demais crimes. "O que deu certo para homicídios foi a territorialização das delegacias especializadas, que seria cada delegacia especializada atuando numa região da capital. Na delegacia de homicídios, no início dos trabalhos, nós concentramos os nossos esforços no extremo sul da capital, em uma área próxima a Santo Amaro. Ela era considerada a região mais violenta do mundo, chamada de ‘Triângulo na Morte’, que era o Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio. Tínhamos algo em torno de 15 a 20 homicídios por dia e hoje em dia passamos vários dias sem nenhuma ocorrência sequer. Isso foi uma solução que deu certo”.

Outro fator ressaltado pelas autoridades de segurança para resolução dos crimes são mudanças no Código de Processo Penal. Para o chefe da polícia civil, a punição do receptador de peças roubadas deveria ser exemplar, para assim conseguir quebrar um dos principais elos da cadeia do crime. "O receptador precisa ser punido de forma mais rigorosa, na mesma medida de quem comete o crime. A sociedade tem de entender que se não houver um mecanismo legal que possibilite uma efetiva ação da polícia e da Justiça nós vamos ficar enxugando o chão com a torneira aberta. Eu até me disponho a enxugar o chão com a torneira aberta, mas com a torneira pingando, não com a torneira jorrando água de forma abundante", afirma.

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