'A gente gostava de ficar em casa', diz namorada de Felipe

No enterro de estudante da USP, a namorada Maiara Marins lamenta a morte dizendo que rapaz era quieto e caseiro

Fernanda Simas, iG São Paulo |

O corpo do estudante Felipe Paiva, de 24 anos, assassinado no estacionamento da Universidade de São Paulo (USP), foi enterrado nesta quinta-feira no Cemitério da Saudade, em Caieiras, São Paulo.

Visivelmente abalada e de poucas palavras, a namorada da vítima Maiara Marins, de 24 anos, explica que ela e o estudante namoravam havia 4 anos e que ele sempre foi uma pessoa caseira. "A gente gostava de ficar em casa. No máximo íamos a um restaurante e não gostávamos de ir para a balada", conta.

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Namorada (de branco) e irmã de Felipe Paiva, que foi assassinado na USP

Os dois se conheceram por meio de uma amiga em comum e Felipe já tinha planos de casar. "Ele pensava em casar logo depois de se formar", lembra muito emocionado Ocimar Paiva, pai da vítima. Ele relatou que o filho sempre foi muito estudioso e trabalhador, havia retirado passaporte esta semana e tinha o sonho de conhecer a França. "Ele falou: 'quero ir para outro país passear e conhecer o lugar', comprou um dicionário e tirou o passaporte".

Como a vítima já tinha sido assaltada duas vezes indo para a faculdade de ônibus, Felipe decidiu comprar um carro blindado. O pai explica ter alertado o filho sobre o perigo das ruas escuras do campus da universidade. Quando o filho argumentava dizendo que o carro era blindado, o pai rebatia: "O carro é, mas você não. Toma cuidado", conta Ocimar muito emocionado.

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Mãe e a filha Amanda em velório de estudante assassinado no estacionamento da USP

A mãe de Felipe, Zélia Ramos, recorda com um sorriso no rosto e olhos cheios de lágrimas que o filho, sempre calmo, gostava muito de esportes e de leitura. "Ele era superfamília, amava muito o trabalho e a faculdade. Gostava muito de esportes e amava ler. Eu não tinha mais onde guardar os livros dele".

Questionada sobre o fato do filho ter reagido ao assalto, Zélia diz que "conhecendo o meu filho como ele era, meio bravinho, ele deve ter reagido". Segundo ela, o filho sempre falava: "Ninguém vai levar o que é meu fácil". Muito emociada, a mãe descreveu o corpo do filho dizendo que o rapaz apresenta marcas de agressão no rosto.

Amigos emocionados

Durante o velório, colegas de curso de Felipe ficaram reservados mas fizeram questão de contar o quanto o estudante era focado nos estudos e atencioso com os amigos. Rodrigo de Oliveira Rodrigues, de 24 anos, estava na aula de Contabilidade de Previdência, que terminou 21h10 de quarta-feira, junto com Felipe antes de ele ser assassinado. Ele descreve o colega como um rapaz "bem calado, na dele, mas uma pessoa muito agradável". "Sempre se empenhou muito nos trabalhos da faculdade e sempre foi uma pessoa pronta para ajudar."

Outra colega de Felipe, Rebecca Nogueira conta que só tem lembranças alegres do amigo. "O carinho dele era incessante. Uma pessoa muito atenciosa." Ela relembra que ele tinha muita vontade de ser piloto de avião e, por isso, trabalhava muito  - Felipe atuava no mercado financeiro. "O nosso curso não dura cinco anos, mas ele estava no quinto ano porque trabalhava tanto que fazia menos do que as outras pessoas, duas aulas por dia", explicando o curso de Ciências Atuariais, que tem duração de 4 anos, mas os alunos podem montar sua grade de acordo com a necessidade pessoal.

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