"A casa está perdendo a sustentação", diz morador sobre rachaduras

Em uma semana, rachaduras apareceram em casas de área nobre de São Paulo. Moradores acreditam que seja consequência da obra de um condomínio residencial

Fernanda Simas, iG São Paulo |

“Parece que a casa está perdendo a sustentação”, conta aflito e com o olhar preocupado, um morador (que não quis ter o nome divulgado) da rua Iraci, no bairro Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo. A frase dele reflete a sensação de ao menos mais dez pessoas que moram em casas dessa rua e o motivo são as rachaduras que começaram a surgir nas paredes e no chão das residências desde a última segunda-feira (15).

Fernanda Simas, iG Sâo Paulo
Rachadura na parede de uma casa na rua Iraci, marcada com fita adesiva
Os moradores disseram estar preocupados, principalmente, com o fato de as rachaduras terem aumentado em pouco tempo (uma semana), sendo que algumas surgiram no chão das casas. “Eu cheguei em casa terça-feira e a porta simplesmente não abria mais”, explica um dos moradores. Como uma maneira de registrar o problema, algumas pessoas colocaram fita adesiva nas rachaduras com a data em que elas apareceram.

Um segurança particular da rua conta que os moradores mudaram a rotina. “Teve um morador que foi embora, ele ficou com medo de ficar ali. Outros que estavam viajando estão voltando depois que souberam o que está acontecendo.” A reportagem do iG esteve no local na quinta-feira (18) e entrou em seis casas afetadas. Algumas estão com rachaduras fundas, sendo possível ver o que está do outro lado da parede. Outras apresentam rachaduras que vão do chão ao telhado.

O moradores afetados acreditam que a possível causa do problema é a obra para a construção de um condomínio de residências de alto padrão em uma rua paralela, a rua Coronel Irlandino Sandoval. Durante a tarde de quinta-feira, engenheiros da obra visitaram casas afetadas e colocaram gesso em algumas rachaduras, anotando a data na parede.

“A colocação do gesso vai avaliar, em 24 e 48 horas, a movimentação do solo nas casas. Hoje [sexta-feira (19)] os engenheiros estão lá novamente para acompanhar a situação”, explica Cleinaldo Simões, porta voz da construtora Bueno Netto, a responsável pela obra do empreendimento.

Um comunicado distribuído pela Bueno Netto aos moradores afirma que as casas próximas à obra estão sendo vistoriadas, “independente das causas dessas ocorrências [rachaduras]”. “Nosso objetivo é executar a obra com segurança, tomando medidas tecnicamente recomendáveis para resguardo do entorno, isto é, dos imóveis vizinhos, garantindo sua segurança e integridade”, acrescenta o documento.

Obra

O alvará (documento de autorização) para a construção do condomínio de casas foi concedido pela Prefeitura de São Paulo, mas estabelece algumas ressalvas como a realização da “arborização e tratamento das áreas comuns não ocupadas” e a “drenagem das águas pluviais”. Os alvarás são concedidos de acordo com o andamento de cada obra e se uma ressalva é desrespeitada pode acarretar na suspensão do alvará e na interdição da obra.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, o alvará de execução de movimentação de terra, ou seja, que permite a modificação do solo, a terraplanagem, ainda não foi concedido porque é preciso esclarecer um impedimento posto pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Esse impedimento será esclarecido na segunda-feira (22).


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