3 em cada 4 moradores de rua usam álcool ou drogas

Entre pessoas de 18 a 30 anos a proporção atinge 80%. Metade dos jovens em SP nessa situação usa crack

iG São Paulo |

O uso de substâncias psicoativas é uma constante nas ruas de São Paulo. Pesquisa feita Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), sob encomenda da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura, aponta que 74% dos moradores entrevistados utilizam álcool, drogas ou ambos. Ente os jovens de 18 a 30 anos a proporção atinge 80%. O álcool é a substância mais utilizada (65%) e é mais freqüente entre os mais velhos. O consumo de drogas atinge 37% da população, mas alcança 66% dos jovens até 30 anos. A droga consumida mais freqüentemente pelos jovens é o crack, usada por mais da metade deles.

O consumo entre os moradores de rua é superior ao encontrado entre os que freqüentam os centros de acolhida em instituições como albergues.

ROBSON FERNANDJES
Grupo de moradores de rua dorme debaixo do viaduto 13 de Maio, no centro de SP
Segundo a mesma pesquisa, um em cada quatro moradores de rua em São Paulo vive na região da praça da República, no centro da cidade. A área é a que mais concentra população de rua em toda a capital, seguida pela Sé (18,1%). Ao todo São Paulo possui 13.66 pessoas em situação de rua – dos quais 48,2% moram nas ruas e 51,8% são acolhidos em instituições.

O censo, que deve orientar a política de atendimento a essas pessoas, mostrou ainda que a maioria da população em situação de rua é formada por homens (86%), não-brancos (64%), possui entre de 31 a 49 anos e andam sozinhos. A escolaridade é baixa, com 9,5% de analfabetos e a maioria (62,8%) com ensino fundamental incompleto – 1,9% porém, possui nível superior completo.

São Paulo, Bahia e Minas Gerais são os principais lugares de origem dos moradores de rua. Em comparação com a pesquisa em 2000, a Fipe constatou neste ano uma presença menor entre pessoas entre 26 e 45 anos – e incremento dos jovens e dos mais idosos. A proporção de analfabetos, no entanto, caiu.

A maioria (60%) tem filhos, mas somente parte (0,8%) declara viver com eles nas ruas – grande parte diz possuir parentes que vivem na mesma cidade, com quem muitos mantiveram contato nos últimos seis meses que antecederam a pesquisa.

A população de rua, segundo a pesquisa, tem um histórico de perdas, sobretudo de emprego. Há pessoas com mais de dez anos sem trabalho registrado, sem qualquer direito trabalhista ou cobertura previdenciária.

Para auferir alguma renda, vivem hoje de pequenos expedientes como catar material reciclável, fazer alguns bicos na construção civil, prestar serviços de carga e descarga, vender doces e pequenos objetos, distribuir panfletos, pedir esmolas e exercer algumas atividades ilícitas. Com isso, em um dia receberam em média, R$ 23 e tiveram um gasto médio de R$15. A maioria gastou com alimentação.

Quase a metade dessa população não possui qualquer documento, o que as exclui da vida civil, segundo o levantamento. Um em cada quatro moradores de rua vive nesta situação há mais de dez anos.

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