Unidades de saúde de SP têm médicos apenas duas vezes por semana e superlotação

Por Anderson Passos , iG São Paulo |

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Organização social que faz a gestão das unidades alega crise. Prefeitura reconhece o problema e diz que fará cobranças

Unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) localizadas na zona leste da capital paulista convivem com falta de médicos para atender a população. "O corte de horas extras começou em março. Aqui só tem atendimento às quintas e sextas. Nos outros dias, a gente tem que encaminhar para outras AMAs. Casos mais graves enviamos para o [hospital] Santa Marcelina. Aqui é referência em pediatria. Hoje só tem um clínico atendendo", lamentou um funcionário da AMA Jardim das Laranjeiras, localizada na Cidade Tiradentes.

Médicos da AMA Jardim das Laranjeiras atendem apenas às quintas e sextas
Anderson Passos/iG São Paulo
Médicos da AMA Jardim das Laranjeiras atendem apenas às quintas e sextas

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Em visita à unidade na semana passada, o setor de pediatria estava superlotado. Procurada, a gerência da unidade não confirmou o número de pediatras que estavam dando expediente e sugeriu que a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde fosse questionada sobre o tema. 

A pasta, em nota, esclareceu que "não há autorização para redução do atendimento nas unidades administradas pela instituição. A Prefeitura irá cobrar da entidade a reposição dos profissionais uma vez que no plano de trabalho aprovado, consta a obrigatoriedade da contratação de médicos e sua reposição".

Segundo funcionários da unidade que conversaram com o iG, a redução da presença de médicos nas unidades se dá porque a organização social que faz a gestão das unidades, a SPMD, cortou as horas extras alegando crise econômica. As AMAs têm por finalidade cuidar do atendimento ambulatorial nas áreas de pediatria e clínica geral.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o contrato entre a Prefeitura e a SPDM prevê que três clínicos e dois pediatras façam plantões de 12 horas entre 7h e 19h de segunda à sábado.

Outras unidades 

Na AMA Vila Antonieta, havia quadro similar - e filas intermináveis. "Aqui só tem médico quinta e sexta. A gente fica horas na fila", comentou uma usuária com uma criança de colo.  

Uma servidora relatou que, com o acúmulo de pacientes, os médicos também têm alegado que estão ficando doentes e não comparecem ao trabalho. "Daí o médico que tem de cobrir não vem trabalhar, porque sabe que atenderá todo mundo sozinho."

Em outra unidade visitada, a AMA Vila Carrão, a escala de plantão fixada na parede confirmava o atendimento limitado às quintas, sextas e sábados, sendo dois pediatras e dois clínicos às quintas e três pediatras e dois clínicos às sextas. No sábado, apenas um pediatra estaria escalado para atender a demanda.

Lacunas na escala

As três unidades são geridas pela organização social Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). As AMAs prestam atendimento à população no horário das 7h às 19h de segunda à sábado. No total, a SPDM administra 51 AMAs no município de São Paulo. Cinco funcionam 24h por dia, promete a OS em seu site oficial.

Procurada, a SPDM não respondeu às indagações sobre o valor do contrato com a Prefeitura de São Paulo e sobre a orientação de corte das horas extras dos profissionais de medicina. 

A Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste (CRSS) revelou que existem nove vagas de plantão abertas na AMA Antonieta e 14 vagas na AMA Carrão. Na AMA Jardim Laranjeiras, a Coordenadoria Regional de Saúde Leste (CRSL) informa que há 22 vagas de plantão abertas.

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