De acordo com a PM, cerca de 350 pessoas compareceram ao protesto, que contestou decisão da Justiça de paralisar obras de vias para bicicletas; para a CET, mil estiveram presentes

Centenas de cicloativistas ocupam todas as pistas da mais famosa via paulistana, nesta sexta-feira
Leonardo Benassatto/Futura Press
Centenas de cicloativistas ocupam todas as pistas da mais famosa via paulistana, nesta sexta-feira

A decisão da Justiça de paralisar obras de ciclovias em toda a cidade de São Paulo, consequência de um pedido do Ministério Público que alega não ter havido planejamento para implantá-las, levou a principal via da metrópole a ser totalmente bloqueada por ciclistas, na noite desta sexta-feira (27). Com concentração no ponto da Avenida Paulista que ficou popularmente conhecido como "Praça do Ciclista", centenas de adeptos das bicicletas, seja como meio de transporte ou como esporte, ocuparam todas as pistas da via no sentido Paraíso, impedindo carros e ônibus de avançar.

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"O primeiro passo é o retorno das ciclovias. É uma coisa que é em prol das pessoas. Houve planejamento para implantá-las, sim. A gente nem precisa incentivar as pessoas a virem, as próprias ciclovias as comovem. É contagiante", diz a fotógrafa Rachel Schein, 41 anos. "Ciclistas sabem a dificuldade que é pedalar em uma via compartilhada. E a ciclovia dá uma proteção pra gente."

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 350 pessoas compunham o grupo que começou a se movimentar em direção à zona sul por volta das 20h. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) calculava o número em mil. "Mais bicicleta, menos carro" e "Se não tem ciclovia, a gente ocupa a vida" estavam entre os gritos de guerra bradados pelos cicloativistas. 

Além de muitos manifestantes de bicicleta, grupos de pessoas com skates, a pé e até de patinete engrossaram o movimento, que recebeu em boa parte do trajeto aplausos de pedestres, agradecidos pela postura dos cicloativistas de parar para deixá-los atravessar a avenida nas faixas destinadas a eles.




"As pessoas precisam parar de reclamar, tirar a bunda do seu carro e parar com individualismos. É uma perda de qualidade de vida ficar três horas no carro. Temos que usar a ciclovia", prega a psicóloga Cristina D'Alberta, 57 anos, que aos poucos vai deixando seu gosto pela bicicleta como meio de transporte público transformá-la em cicloativista. "Não acho que só a manifestação vá fazer que as obras voltem, mas é um ponto a favor, que pode ajudar a pressionar as autoridades."

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Após a liminar que suspendeu as obras na semana passada, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, entrou na Justiça para tentar derrubá-la. As pistas dedicadas aos ciclistas são a principal bandeira de seu mandato, marcado por insatisfação da população em relação a suas prioridades no cargo. Em nota, o Executivo paulistano afirmou que entregará à Justiça os estudos solicitados sobre o impacto das ciclovias no trânsito da cidade. Até o momento, 253,3 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas foram entregues por Haddad – a meta para o fim de 2015 é de 800 km.

"Queremos que o Ministério Público pense um pouco e veja o que é melhor para todos. Claro que não se vai fazer ciclovia em todo lugar. Mas dou meu total apoio a este protesto", diz o músico José Hamilton Ferreira Dias, 63 anos. "Não vai ser de um dia para outro que vamos mudar a educação e o respeito das pessoas. Mas estamos caminhando pra isso. Estamos apenas democratizando os espaços", concorda Rachel.

Além de São Paulo, os atos em prol das ciclofaixas foram realizados em outros 14 Estados brasileiros. Batizados de "Bicicletada Mundial", eles também ocorreram em países como Alemanha, Argentina, EUA, Inglaterra e Espanha. 

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