Cemitério na zona leste de São Paulo tem covas abertas, lixo e mato alto

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo |

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Reportagem do iG, que visitou local na última terça-feira, também encontrou calçamento quebrado e água parada

Covas parcialmente destampadas, alamedas sem calçamento, mato alto. Essa é a situação encontrada pelos frequentadores do cemitério da Saudade de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.

A reportagem do iG esteve no local na última terça-feira (17) e também encontrou muita sujeira e água parada.  A chuva do dia anterior à visita deixou ainda mais visíveis os problemas do local.

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No cemitério de São Miguel Paulista, apenas uma grande alameda é asfaltada. As vias que levam os frequentadores aos túmulos não tem nenhum tipo de calçamento e com a chuva, havia vários buracos na terra.

“O problema é andar aqui. A gente tem de tomar cuidado para não cair. Ainda mais agora que o terreno está escorregadio”, diz a diarista Maria de Jesus Simões, de 47 anos. Ela conta que a filha morreu há três anos e que havia ido ao local cuidar da transferência dos restos mortais para o ossário.

As covas são dispostas em três áreas do terreno. Uma delas é destinada às famílias que adquiriram jazigos. A manutenção é de responsabilidade dos donos.

Outra área cimentada e dividida em quadras tem até seis caixões por cova, prática comum nos cemitérios. O problema é que a reportagem encontrou muitas das tampas que cobrem as covas e que deveriam ser cimentadas deslocadas e quebradas. Entre essas quadras, também foi possível observar diversos pontos de água parada, além entulhos e sujeira, como embalagens de plantas, folhas e galhos de árvores.

Veja a situação encontrada:

Para chegar as quadras, frequentadores têm que caminhar sobre alameda de terra (17.03.15). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGCachorro sobre cova aberta no Cemitério da Saudade (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloDetalhe de uma cova parcialmente destampada (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloTampas quebradas são amontoadas sobre as covas. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloLocal tem vários pedaços de tampas antigas espalhadas (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloÁgua parada entre as covas (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloCalçamento quebrado e com muito mato próximo a uma das quadras (17.03.15) . Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloRaízes das árvores destruíram escada que dá acesso às quadras. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloCova aberta destinado a sepultamento realizado no mesmo dia (17.03.05). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloComo deveria ser: área destinada a sepultamento tem todas as covas lacradas (17.03.15). Foto: Ana Flávia OliveiraMato alto complica visitação dos túmulos. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloCachorro na tampa deslocada de cemitério. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloCovas com tampas deslocadas e quebradas. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloTampas de túmulos acumuladas e chão totalmente irregular. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloRestos de entulhos próximo as covas. Foto: Ana Flavia Oliveira/iGRestos de entulho próximos das covas. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloCovas deveriam estar cimentadas (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloLocal tem tampas de covas abertas e deslocadas (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloTampas de covas abertas e deslocadas (17.03.15). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAlameda sem calçamento fica escorregadia (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloRestos de entulho jogados ao lado de jazigo (17.03.15). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo

Há a dificuldade também para chegar a essas quadras, já que muitos dos terrenos não têm numeração e nenhuma indicação. Até mesmo muitas placas com nomes dos mortos estão fora do local, impossibilitando a identificação para quem não conhece ou não está habituado com o local.

Em outra área, as pessoas são enterradas diretamente no chão, em covas individuais. Mas o mato alto que chega até a altura dos joelhos impede até mesmo a visita de parentes e amigos, principalmente para aqueles que têm alguma dificuldade de locomoção.  

Falta de vagas

Antes de visitar o local, a reportagem entrou em contato por telefone com a administração do cemitério. Sem se identificar, ouviu do atendente que apenas moradores de São Miguel Paulista poderiam ser enterrados no local.

“Apenas estamos enterrando quem tem CEP que começa com 080 nós. Não tem vaga”, relatou.

O cemitério fica localizado em uma área de 134 mil metros quadrados e foi inaugurado em 1960. Segundo a Prefeitura de São Paulo, são realizados 176 sepultamentos na quadra geral, 12 na quadra criança, 52 nos túmulos de concessão e 266 exumações por mês no cemitério da Saudade.  Em todos os cemitérios municipais da cidade, são realizados 6.800 sepultamentos. 

Segundo a prefeitura, o valor da concessão de terreno por tempo indeterminado no cemitério da Saudade varia entre R$ 5.697,23 e R$8.189,77. Pela gaveta, os parentes pagam R$ 657,38. Cada vaga no ossário custa R$ 24,50. 

Outro lado

Em nota, a assessoria de imprensa do Serviço Funerário de São Paulo informou que túmulos "tampa deslocada e sepulturas com placas arrancadas são procedimentos que antecedem as exumações, que somente podem ser efetivadas com a presença de um familiar responsável. Os sepultadores antecipam a retirada para facilitar o trabalho". No entanto, não informou até quanto tempo esses túmulos podem ficar abertos. 

A prefeitura confirmou que "as quadras estão, sim, com a identificação deficitária, bem como o asfalto. Há projeto em andamento para melhorar a identificação em todos os cemitérios". Mas não deu mais detalhes sobre o projeto "em andamento" e nem quando será concluído. 

Segundo a prefeitura, a carpinagem é feita de acordo com um cronograma acertado com uma empresa terceirizada, "mas a chuva constante tem colaborado para o rápido crescimento da grama", informou a nota. 

A prefeitura também responsabilizou a chuva constante dos últimos dias pelos buracos nas alamedas. Sobre a água parada, a prefeitura informou que a "prevenção para a dengue está exitosa em todos os cemitérios, mas em dias de chuva é difícil não juntar água em cima dos túmulos, por isso os funcionários fazem vistoria após a estiagem". 

Em relação à falta de vagas, a pasta informou que o cemitério da Saudade tem túmulos por concessão e por isso as ofertas nas quadras gerais são mais limitadas, atendendo somente a moradores do bairro. 

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