Advogada contratada por avós de Marcelo Pesseghini, apontado como autor de crime, diz que houve falhas da polícia

Um ano e meio depois da chacina da família Pesseghini, a Justiça pode determinar a abertura das investigações na próxima segunda-feira (23). Isso porque está marcada para esta data o julgamento do recurso de apelação apresentado pela advogada Roselle Soglio, contratada pelos avós paternos de Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini.

O menino foi apontado pelas investigações com o autor do assassinato de quatro parentes e de suicídio. A família foi encontrada morta na casa onde morava na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013.

Garoto ao lado do pai Luiz Marcelo Pesseghini. Para Polomba, menino sofria com problemas mentais
Arquivo pessoal
Garoto ao lado do pai Luiz Marcelo Pesseghini. Para Polomba, menino sofria com problemas mentais

De acordo com a polícia, o menino teria matado o pai, o sargento da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) Luiz Marcelo Pesseghini, 40 anos, a mãe Andrea Regina Bovo Pesseghini, de 35 anos, também policial militar, a avó, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a tia-avó, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos. A arma da mãe teria sido usada no crime. 

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Após os homicídios, o adolescente, que tinha 13 anos, teria ido para a escola dirigindo o carro da família, assistido às aulas e voltado para casa, onde teria cometido suicídio. A investigação foi concluida em maio do ano passado. Mas, para a advogada, há falhas na investigação, que podem apontar para outra pessoa a autoria dos crimes. 

“A investigação foi parcial. A polícia só investigou uma linha, apesar de ter elementos para outras. Entramos com recurso para pedir a retirada da culpa do Marcelo. Se ele não praticou, foi outra pessoa. Por isso, as investigações têm que ser reabertas”, disse a advogada.

Entre as falhas apontadas pela advogada estão a falta de pólvora e manchas de sangue na parte interna da mão do menino, o que, segundo ela, inviabilizariam a tese de homicídios e posterior suicídio.

“As fotos tiradas pela pericia mostram projeção de gotas de sangue na face interna dos dedos mão do menino. O que é incompatível com as leis da física. O laudo também não mostra pólvora nas mãos dele. Como ele atirou no mínimo seis vezes e não ficou pólvora?”, questiona a advogada.

Outras “incompatibilidades” apontadas por ela são: alteração na cena do crime, com a entrada, segundo ela, de ao menos 20 pessoas na casa antes da chegada da perícia, e as controvérsias nas versões da principal testemunha, um policial amigo da família que encontrou os corpos. Além disso, a adovogada critica a falta de perícia nas imagens em que o garoto aparece indo para escola após os crimes.

“As imagens não foram periciadas para saber se são daquela data, se não houve inclusão de frames . A qualidade da imagem é muito ruim. Precisava de programas de recursos de edição, mas a polícia perguntou para colegas se parecia o Marcelo. Não sabemos se é ele e de quando são as imagens”.

Testemunhas

A advogada também diz que a polícia errou ao desconsiderar o depoimento da pediatra e ao não ouvir a versão dos avós paternos do garoto, que acreditam na inocência do neto.

“A médica dele diz que ele era uma criança normal, sem desvio de comportamentos. A opinião dela foi invalidada em função de achismo”, diz, citando laudo assinado pelo psiquiatra forense, Guido Palomba, contratado pelo DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa). Em sua avaliação, Palomba apontou que Marcelo tinha encefalopatia hipóxica” (falta de oxigenação no cérebro) o que teria feito com que o menino desenvolvesse ideias delirantes. Jogos de vídeo game violentos também teriam influenciado as ações do menino.

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“A policia não poderia ter chamado um psiquiatra particular, quando tem profissionais que faz isso. O Guido não tinha condições de analisar a personalidade pois não teve acesso ao Marcelo e não conversou com familiares e pessoas próximas. Ele se baseou em depoimentos de professores e colegas para montar o perfil psicológico dele. Isso é abdominável”, disse.

A advogada também questiona o fato de a polícia não pedir o rastreamento do telefone do Marcelo, para saber onde estava. "Em casos de repercussão, isso é muito usado. Não houve o interesse em investigar”, conclui Rosele. 

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Já é a segunda vez que Roselle tenta a reabertura das investigações. Em agosto do ano passado, um pedido de recurso foi negado pela Vara da Infância e Adolescência.

A Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito já foi relatado e apenas a Justiça pode se manifestar sobre o assunto. Questionada, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça confirmou o julgamento, mas disse que o processo corre em "segredo" e, por isso, não podem informar "mais nada". 

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