Não se pode dizer que não haverá rodízio de água, diz Geraldo Alckmin

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Tucano, que negou falta de água durante a campanha eleitoral, prepara plano de contingência com prefeitos da Grande SP

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu nesta sexta-feira (13) que São Paulo poderá passar por um rodízio em razão da crise hídrica e anunciou a criação de um plano de contingência para o caso de a política ser decretada oficialmente. Na campanha, o tucano havia dito que não haveria corte de água.

"Não se pode dizer que não vai ter rodízio", disse Alckmin logo após a primeira reunião do Comitê de Crise Hídrica, criado pelo governo paulista há uma semana, na sede da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.

Em 30 de setembro, no debate entre os candidatos ao governo do Estado de São Paulo promovido pela TV Globo, Alckmin afirmou: "não falta água em São Paulo, não vai faltar água em São Paulo". A frase arrancou risos da plateia, na qual estavam partidários de adversários do tucano.

 Mais cedo: Alckmin vai esperar até fim de março para oficializar rodízio de água em SP

Governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao lado do prefeito de SP Fernando Haddad (PT) fala sobre crise hídrica
Vitor Sorano/iG São Paulo
Governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao lado do prefeito de SP Fernando Haddad (PT) fala sobre crise hídrica

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Alckmin evitou definir uma data para a oficialização do rodízio e o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, descartou que ela ocorra dentro das próximas três semanas.

Nesse período, uma comissão executiva formada por representantes do Estado e das prefeituras da Região Metropolitana de São Paulo e da cidade de Campinas irão se reunir para elaborar o plano de contingência mencionado pelo tucano.

Braga alegou não haver nenhum tipo de "gatilho" que irá disparar a oficialização do rodízio, embora dentro da secretaria se discuta uma meta para o nível do sistema Cantareira que, caso não seja cumprida até março, levaria à decretação da política de restrição.

"Nós estamos criando uma comissão executiva para elaborar um plano de contingência. Não temos gatilho, não existe nada nessa direção", disse Braga.

Presente ao encontro, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tratou como pequena a possibilidade de que um rodízio tenha de ser decretado, em linha com o tom adotado por Alckmin e Braga.

"O pior cenário apresentado [durante a reunião] afasta a possibilidade de um rodízio", disse o petista.

Prefeitos pressionam

O plano de contingência buscará estabelecer ações que deverão ser tomadas para impedir cortes ao abastecimento de escolas, hospitais e presídios, além de verificar que ações as prefeituras podem tomar reduzir o consumo de água - em São Paulo, por exemplo, a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) aprovou uma multa para quem lavar a calçada.

O governo tucano aceitou a ideia do plano após a presão de outros integrantes do Comitê da Crise Hídrica - prefeitos, representantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e de associações patronais de classe -, segundo uma fonte presente ao evento que pediu anonimato por não estar autorizada a falar sobre o assunto.

Um dos que fez a cobrança foi o prefeito Haddad.

"Não precisamos esperar acontecer. Podemos já sair com uma comissão organizando o trabalho", disse o petista durante o encontro. Mais tarde, o prefeito chegou a falar em prazo para a conclusão do plano de contingência.

"A Sabesp vai se reunir, mas nós precisamos ter um plano de contingênci em 30 dias. Não é algo que seja impossível de realizar", disse, na presença de Alckmin e do secretário Braga.

*Aguarde mais informações

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