Confusão teria ocorrido devido ao temor de que militantes tentariam incentivar usuários a pularem catracas no metrô

O terceiro ato de 2015 do Movimento Passe Livre (MPL) voltou a ser encerrado em tumulto, na noite desta terça-feira (20). Após mais de três horas sem nenhuma ocorrência, o protesto que objetiva abaixar a tarifa de ônibus e metrô na capital paulista – elevada de R$ 3,00 para R$ 3,50 na primeira semana de janeiro –, teve confusão na dispersão dos militantes e, mais uma vez, acabou com acusações de excessos de lado a lado.

Após tentarem estender bandeira no metrô, manifestantes o fazem em via, nesta terça-feira
Facebook/Reprodução
Após tentarem estender bandeira no metrô, manifestantes o fazem em via, nesta terça-feira

Diferente dos atos anteriores, realizados na região central paulistana, a manifestação desta terça ocorreu na zona leste de São Paulo, com início na estação de metrô Tatuapé – próximo ao Sindicato dos Metroviários, apoiado pelo MPL –, e foi encerrado na estação Belém, em um trajeto de cerca de 1,5 km percorrido pela Radial Leste, principal via de ligação da zona leste ao centro. A região, já bastante movimentada no dia a dia, registrou grande congestionamento ao longo do protesto.

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No total, segundo a PM, 500 pessoas participaram do ato. O MPL, por sua vez, fez um balanço diferente do número de presentes. Segundo o grupo, oito mil militantes estiveram no ato. 

Um grande número de homens da Tropa de Choque e de policiamento ostensivo da PM acompanharam todo o trajeto, com toda a movimentação sendo postada em tempo real pela corporação, amplamente criticada por suas reações violentas nos protestos de rua da cidade. 

Veja fotos do protesto da última sexta-feira, dispersado pela violência:

"Apesar das provocações de manifestantes, os PMs permanecem serenos, cumprindo a sua função de garantir o direito de manifestação em São Paulo", publicou a corporação em sua página no Twitter, por volta das 21h. Ao final do ato, no entanto, a confusão se instaurou. 

Em sua página no Facebook, o MPL afirma que alguns militantes tentaram estender um bandeirão pela tarifa zero em frente à estação Belém, mas acabaram impedidos por agentes de segurança da empresa. De acordo com o grupo, os profissionais agiram com violência, "agredindo mulheres de forma absolutamente machista e inaceitável". O pano acabou estendido no meio da rua.

Ao mesmo tempo, às 21h30, a PM disse que "vândalos tentaram invadir a estação [...], cerca de 15 pessoas tentam fechar a Radial". O acesso ao metrô local foi fechado por quase dez minutos devido ao tumulto. Vidros das bilheterias foram depredados.

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Segundo o MPL, "a polícia reprimiu gratuitamente manifestantes que se dirigiam ao metrô Belém". "A justificativa é de que existia 'risco' de um 'catracaço'. É importante perceber que a polícia, criada para servir e proteger, prefere proteger o patrimônio do patrão, descendo a borracha em manifestantes, do que zelar pelo bem fisico da população", criticou o grupo. 

Até o fechamento desta reportagem, a PM não divulgou se houve feridos e/ou detidos no ato.

O MPL volta às ruas nesta sexta-feira (23), desta vez com concentração em frente ao Theatro Municipal, na região central paulistana. Será o quarto grande protesto do grupo em 2015, quase dois anos depois de ter protagonizado as manifestações que se tornaram um marco das ações de movimentos sociais no Brasil. 

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