Em dezembro, o prefeito Fernando Haddad anunciou que alunos da rede pública e do ciclo básico teriam direito à gratuidade no transporte

Agência Brasil

Integrantes do movimento estudantil estão acampados, desde o início da manhã de hoje (15), em frente ao prédio da prefeitura, no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. Eles querem que o governo municipal amplie o passe livre no transporte público para todos os estudantes, sem restrições.

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Integrantes do Movimento Passe Livre acampam em frente à Prefeitura de São Paulo
Futura Press
Integrantes do Movimento Passe Livre acampam em frente à Prefeitura de São Paulo


No dia 26 de dezembro, o prefeito Fernando Haddad anunciou que alunos da rede pública e do ciclo básico (fundamental e médio) teriam direito à gratuidade. A limitação ocorre para estudantes de nível superior privado, pois são contemplados somente os que são beneficiários de programas de financiamento ou que sejam cotistas (raciais ou sociais). Junto com o anúncio do passe livre para estudantes, a prefeitura também divulgou o reajuste da passagem de R$ 3 para R$ 3,50.

“Primeiro, repudiamos esse aumento, mas desta vez é diferente, porque veio com um anúncio muito significativo que é a conquista do passe livre. Nós lutamos há mais de 20 anos pelo passe livre estudantil, então vamos para a rua também para comemorar”, explicou a presidenta da União Estadual dos Estudantes (UEE) Carina Vitral, de 26 anos, estudante de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Apesar da conquista, ela destaca que o movimento continua mobilizado pela gratuidade sem restrição.

Carina diz que o movimento também luta para que o transporte público se torne um direito fundamental e que o passe livre seja garantido a todo cidadão. Ela explica que, como isso ainda não é uma realidade no Brasil, as lideranças estudantis consideram prioritária a concessão do passe livre para que se garanta o direito à educação.

“O passe livre é um direito complementar ao direito fundamental da educação. Se eu não tenho transporte para a escola, para o cinema, para o museu, eu não chego lá. Todos esses são ambientes escolares, por isso criticamos a existência de cotas de passagens ao passe livre”, afirmou a presidenta da UEE.

Os estudantes informaram que não deixarão o local até serem recebidos pelo prefeito Fernando Haddad. No final da manhã, após a solenidade de posse do novo secretário de Educação, Gabriel Chalita, Haddad disse desconhecer o acampamento em frente ao prédio da prefeitura e não comentou o assunto.

Chalita considerou um avanço a implantação do passe livre para estudantes da rede pública. “O prefeito já deu um passo importante para que os estudantes possam usar gratuitamente os ônibus. É um grande avanço que a gente tenha conseguido atender os alunos”, declarou.

Durante a posse, Chalita destacou, como um dos desafios de sua gestão, a criação de vagas em creches. De acordo com a presidenta da UEE, na próxima semana, o grupo irá à Assembléia Legislativa para pressionar pela aprovação de um projeto que garanta passe livre para alunos em todo o estado.

Em frente ao paço municipal, foram montadas cerca de 30 barracas. Também fazem parte do ato, integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), União Paulista de Estudantes Secundaristas (Upes), além de entidades de base, como diretórios e centros acadêmicos.

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