Tropa de choque da PM prendeu manifestantes e disparou balas de borracha depois de viaturas serem atacadas com pedras; pelo menos 7 mil pessoas participaram do ato

A manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público nesta sexta-feira (9), em São Paulo, começou tranquila, mas a calmaria não durou muito tempo. Por volta das 19h15, houve correria depois do início de um confronto entre um grupo de manifestantes e a Polícia Militar (PM). A confusão teria começado depois que algumas pedras foram atiradas em viaturas.

A polícia reagiu com a imobilização dos que começaram a confusão – ao menos 51 foram detidos, segundo a polícia civil. Também houve feridos, como uma mulher atingida com bala de borracha na perna, mas o número não foi divulgado. A maioria dos manifestantes já havia dispersado por volta das 20h30. Ao todo, segundo a PM, pelo menos 7 mil pessoas participaram do protesto – os organizadores falam em 20 mil.

A partir daí, a situação ficou tensa e a polícia disparou balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral contra os manifestantes, que passaram a correr em busca de proteção ao longo da Rua da Consolação, próxima à Avenida Paulista.

A maior parte dos manifestantes deixou o protesto depois do confronto com a polícia. Para evitar que o ato avançasse pela Avenida Paulista, policiais militares se enfileiraram, criaram um cordão de isolamento e bloquearam a passagem. Quem se aproximava dos agentes era intimidado com bombas de efeito moral.

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Algumas agências bancárias foram depredadas – com vidros quebrados e paredes pichadas – e lixos, incendiados. Também houve depredação a uma concessionária na Rua Augusta. As estações Trianon-Masp e Consolação precisaram ser fechadas temporariamente durante os conflitos.

Segundo Nina Capello, do Movimento Passe Livre (MPL), a confusão foi resultado da repressão da PM, que teria impedido a passagem dos manifestantes na Avenida Paulista. Ela disse não saber se houve algum ato de vandalismo anterior à ação da polícia e garantiu que os confrontos foram isolados, devido à dispersão dos presentes.

A reportagem do iG, no entanto, constatou que os maiores conflitos começaram quando manifestantes invadiram pistas em que não estavam previstos protestos, jogaram pedras contra policiais e viaturas e picharam canteiros centrais da Rua da Consolação.

Devido ao grande número de detidos, a PM usou ônibus da corporação para transportá-los. Eles foram encaminhados aos Distritos Policiais número 77 e 78.


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