Protesto começou esvaziado devido às chuvas, mas logo milhares se juntaram ao movimento, fechando trânsito em importantes vias como Avenida Paulista e Rua da Consolação

A exemplo do que ocorreu em outros tantos atos organizados pelo grupo ao longo do ano, a expectativa do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MTST) era ter a adesão de milhares de pessoas no protesto realizado na Avenida Paulista, região central de São Paulo, nesta quinta-feira (13). E, mesmo com o temporal que caiu sobre a capital paulista no final da tarde, o grupo conseguiu o que queria.

Batizado de "Marcha Popular Pelas Reformas, Contra a Direita, Por Mais Direitos", o protesto, iniciado por volta das 17h desta, atraiu ao menos 3 mil pessoas, de acordo com informações da Polícia Militar do Estado – 15 mil, segundo o grupo –, e parou o trânsito de importantes vias da capital, como a Avenida Paulista e a Rua da Consolação. A concentração, que logo virou passeata em direção à Praça Roosevelt, na região da Rua Augusta, foi no Vão Livre do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp).

Leia mais:
MTST fecha avenidas para cobrar compromissos da prefeitura de São Paulo

Apesar disso, por mais de uma hora parecia que o protesto seria um fracasso. O próprio grupo, inclusive, chegou a fazer piada com o papel do clima ruim para afastar as pessoas das ruas. "Pelo visto São Pedro não é a favor da luta pelas Reformas Populares", ironizou um post publicado na linha do tempo do Facebook do MTST às 17h30, quando apenas 100 pessoas se encontravam com o grupo. Logo, no entanto, mais 600 se juntaram aos Sem-Teto – número que cresceu com o passar das horas.

Organizada pelo MTST junto a outros grupos populares, o ato teve como objetivo chamar a atenção para uma série de mudanças profundas que o movimento vê como essenciais para o futuro do Brasil: reformas urbana e agrária; reforma tributária progressiva; reforma política; democratização das comunicações; e desmilitarização da segurança pública.

Leia também:
Fim da Copa do Mundo pode abalar poder de negociação do MTST, diz especialista
MTST reúne 12 mil pessoas no Itaquerão: "Queremos nossa reivindicação atendida"
MTST veta exibição de abertura da Copa e moradores esvaziam ocupação
Veja entrevista de Guilherme Boulos, a mais conhecida liderança do grupo Sem-Teto

Como na ampla maioria dos grandes protestos do MTST, Guilherme Boulos, um dos coordenadores e principal porta-voz do movimento, fez o discurso mais aclamado, criticando partidos mais alinhados à direita, como o PSDB, que governa São Paulo, um dos alvos mais constantes do grupo. Dois caminhões com caixas de som acompanharam os manifestantes ao longo de todo o trajeto.

"Teve uma turma aqui na Paulista dizendo que o povo devia ser reprimido por uma intervenção militar", bradou ele, se referindo às campanhas promovidas por alguns grupos tucanos . "Era uma meia dúzia, uma playboyzada dos Jardins, que só porque o titio Aécio (Neves, candidato à Presidência da República derrotado por Dilma) perdeu a eleição, ficaram bravinhos."

Convidada ao evento, a ex-candidata à Presidência do País pelo PSOL Luciana Genro, bastante próxima aos grupos de militância social, também discursou. "Vamos enfrentar a direita nas ruas", disse ela.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.